Ode à vida
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de setembro de 2000
Estelio Feldman 
Aniversário, Natal, Páscoa, Dia das Mães e tantos outros eventos acontecem uma vez por ano e a gente sempre festeja com grande entusiasmo. Já os Jogos Olímpicos se realizam apenas a cada quatro anos e, por isto, a expectativa é muito maior; a celebração tem de ser mais ampla e o acompanhamento a tudo o que está ligado à realização é total.
Os Jogos Olímpicos representam o grande e quase utópico sonho de uma humanidade unida pelo ideal do esporte, sem barreiras, sem preconceitos, sem ódios. No começo é importante lembrar não foi bem assim. As mulheres estavam ausentes, bem assim como muitas raças foram excluídas, deliberamente ou não. O que valeu, porém, foi que, ao relançar os Jogos Olímpicos, em 1896, o Barão de Coubertin restaurou uma idéia e lançou uma semente que era maior do que seus próprios sonhos.
Ao longo dos mais de 100 anos desde os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, muita coisa mudou, houve intensas transformações no próprio mundo. Os Jogos enfrentaram guerras, ódios, dificuldades. Houve boicotes, os Jogos serviram para manifestações políticas, houve momentos em que se temeu pela manutenção dos seus ideais. Todavia, felizmente, o sonho se mostrou mais forte e as Olimpíadas chegam hoje, nas primeiras disputas após o seu centenário, na última competição do milênio, com uma intensidade impressionante.
No desfile de abertura, marcado para às 4 horas da manhã do dia 16 (iniciando a maratona dos que pretendem acompanhar a disputa que ocorre no outro lado do mundo) haverá representações de mais países até do que os que têm assento na ONU. É evidência maior, se fosse necessária, de que o esporte ainda cria condições melhores de união que qualquer outra atividade humana.
Israelenses ao lado de palestinos, brancos, negros, vermelhos, amarelos, homens e mulheres, uma única e plena Humanidade reunida não apenas para competir mas com a finalidade de cantar a gloriosa realidade do ser humano unido na mesma sintonia. A festa maior de uma confraternização que tem sido o marco de esperança para um mundo de paz, concórdia, alegria, um ode à vida em todo seu esplendor.


