São Paulo, 11 (AE) - Obstinação é a melhor palavra para definir Fernando Baiano, segundo a comissão técnica do Corinthians. Os cinco gols contra o Cerro Porteño representam o ponto máximo de uma carreira marcada pela superação. O atacante, que completa 20 anos na quinta-feira, já passou por duas cirurgias delicadas, antes de profissionalizar-se, e por pouco não largou o futebol.
Ainda juvenil, fraturou o tornozelo esquerdo e ficou seis meses parado. No início do ano passado, quando começava a despertar a atenção de Wanderley Luxemburgo, então técnico do time profissional, sofreu outra contusão e mais uma cirurgia, no joelho esquerdo. "Ele conseguiu superar tudo e merece o que está vivendo agora", afirma o médico Joaquim Grava. O paulistano João Fernando de Nelo recebeu de Mirandinha, hoje seu reserva, o apelido de Baiano. "Quando eu comecei a treinar com os profissionais, cheguei atrasado algumas vezes e o Miranda começou a me chamar de Baiano, porque ninguém sabia meu nome; depois, pegou." O jogador pediu aos jornalistas, no início do ano, que só o chamassem de Fernando, mas já desistiu. "Eu me acostumei e hoje acho até legal."
Com 1,82 m e 80 kg, Fernando tem no físico um dos pontos fortes. Segundo o fisiologista Renato Lotufo, suas virtudes são a força, a potência e o arranque. "Ele é um atleta disciplinado
que cuida do peso e da alimentação e investe na profissão; é daqueles que, se você lhe pedir para tomar um remédio às 2h33 da manhã, ele vai e toma." O técnico Evaristo de Macedo concorda. "Ele é um jovem em evolução, que teve uma atuação excepcional, mas não esperem que faça cinco gols no próximo jogo, porque nem Pelé, nos tempos áureos, mantinha a média."
Fernando Baiano ganha cerca de R$ 1,5 mil por mês e é o maior artilheiro do Corinthians em 1999, com dez gols. Hoje, ele viveu o seu dia de ídolo e cansou-se de ouvir e ver a repetição de seus gols. "É um dia glorioso e eu ainda estou meio aéreo; vou refletir e descansar."
O atacante disse ser "gratificante" o fato de ter entrado para a história do Corinthians como o maior artilheiro do time em Libertadores. Apesar disso, em todas as declarações, procurou mostrar humildade. "Tenho muito o que aprender; pés no chão e nada de máscara."
Fernando afirmou que não vai pedir à diretoria que requisite à Confederação Sul-Americana o que seria o seu sexto gol contra o Cerro, computado pelo árbitro para o lateral Índio. "O gol foi do Índio mesmo, porque o mérito foi todo dele; o importante é que a equipe saiu vencedora."

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