Mais difícil do que retomar a carreira é se adaptar a uma cultura amplamente diferente da que se está acostumado. Uma cultura regrada pelas crenças religiosas e doutrinadas pelo Antigo Testamento. Algo totalmente diferente do modo de vida brasileiro. Foi o que Rodrigo enfrentou pelo caminho em Omã.
O Sulfanato de Omã, seu nome oficial, está no meio do mundo árabe, região rica em petróleo. O clima é árido e quente, como um deserto. A maior parte da população é de origem árabe, mas pode-se encontrar minorias étnicas, como persas, paquistaneses, baluquistaneses, indianos e negros.
A religião predominante é a islâmica. Os omanis seguem a risca o Alcorão. ''Como é muito quente em Omã, os treinos eram feitos mais tarde. E todo dia, parava às 19 horas para orar. Isso é sagrado. Durante os jogos, às vezes atrasam o horário de retorno do intervalo para orar. Eu e outros jogadores, que não seguíamos o islamismo, ficávamos batendo bola e esperando o resto do time terminar de orar'', contou Rodrigo, que é católico.
Sur, cidade onde o jogador estava, fica localizada no litoral. É um local calmo, de belas praias, mas com a mesma linha religiosa. ''Um dia eu fui pegar uma praia e quando ia tirar o calção para ficar de sunga, me avisaram que seria preso se fizesse isso'', comentou.
Com o idioma, também teve um pouco dificuldade, afinal, é complicado de aprender o árabe. Porém, o mais importante, que era entender o técnico, ele conseguia. ''Era um marroquino, que jogou dois anos em Portugal e falava um pouco de espanhol'', apontou.
Porém, não foi a religião nem a fala as maiores dificuldades do jogador e sim a comida. O fato de ser bastante apimentada ele tirou de letra. ''Eu passei a comer em restaurantes chineses ou indianos'', contou. Mas o modo como os osmani costumam comer. ''Eles comem sentados no chão em volta de um grande prato, uma espécie de bacia, e com a mão. Quando fazíamos as refeições no clube, eram grupos de quatro ou cinco jogadores em volta de um pratão. No começo comi com a mão, depois passei a levar minha colher'', revelou o atacante, emendando seu trauma com a carne de bode, muito consumida por lá. ''Eles armam uma espécie de trave na casa, pinduram os bichos e matam a pedradas. Depois fazem grandes buracos e assam eles ali mesmo, chamando os vizinhos para comer''.
Rodrigo volta para Omã no fim do mês levando a esposa. Nos sete meses que ficou por lá, estava sozinho. Ela não precisará se vestir como as osmani. ''Algumas deixam apenas os olhos à mostra. Outras, nem isso. Mas eles respeitam os costumes de quem não é muçulmano, respeitam as estrangeiras''. (T.M.)

mockup