O vôo do pássaro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de junho de 2001
Andrés Baró De Campinas, SP 
Viajando na imensidão do céu. O corpo cai e plana ao mesmo tempo, a apenas 80 Km/h. O homem se supera e vive a emoção de flutuar no ar como um pássaro: O som do vento é diferente. Ao diminuir velocidade de queda livre - que normalmente passa dos 150 Km/h, a percepção muda, passamos a experimentar um silêncio. Conseguimos falar com outro colega, contornar juntos uma nuvem... Uma leveza indescritível, quero mais!, revela a instrutora de Campinas, Márcia Farkouh, que junto com Marcos Pettená, forma a dupla pioneira desta novíssima modalidade de pára-quedismo no Brasil, o wingsuit (traje com asas).
O sonho cobra seu preço. A idéia de voar com um macacão especial, imitando as formas de um morcego, mexe com a fantasia de atirados esportistas há algum tempo. No período de 1930-61, sonhadores, um total de 75, viveram seu momento: lançaram-se ao vazio em busca do almejado vôo. Saldo da façanha: 72 mortes...
Em 1960, a federação internacional proibiu a prática da modalidade. Trinta anos se passaram, as autoridades da época e suas leis foram esquecidas e surgiu o francês Patrick De Gayardon reativando os projetos de seus colegas de outrora. Desta vez, com o trunfo de contar com a evolução das técnicas de queda-livre, com novos conceitos sobre aerodinâmica e com o incrível desenvolvimento dos equipamentos; que deixaram de ser ferramentas militares aproveitadas pelo esporte, para transformar-se num forte e promissor mercado.
Presságios
Marcos Pettená lembra do primeiro contato que teve com o wingsuit, em 1994, num jantar entre pára-quedistas nos EUA, onde, pasmo, escutou De Gayardon afirmar com seriedade: Ainda vou pousar com este macacão... Tanta era a determinação do francês que chegava a acreditar que um dia chegaria à terra voando, como uma ave, sem o artifício do pára-quedas. Em abril de 98, virou lenda. Morreu no Havaí testando um novo protótipo. É notório! Você não cai mais como uma bala, como na queda-livre. A velocidade diminui muito. Isto leva a pessoa a reavaliar a frase de De Gayardon, explica Pettená. Mas o brasileiro garante que não partirá dele tal iniciativa, apenas acompanhará de perto a evolução da modalidade.
Performance e Segurança
Tecidos especiais entre os braços e pernas apresentam células, ou compartimentos, onde o ar se pressuriza durante a queda livre, o macacão toma o formato de uma concha e garante a sustentação na razão 1 por 1 (a cada metro de queda vertical, ele plana outro na horizontal). Para se ter uma idéia o parapente voa e pousa na média de 1 por 7. Quer mais? Na Europa, outro birdman - homem pássaro, como é chamado o praticante de wing suit desde os anos 30 - desta vez um alemão, desenvolve um vôo a jato: com turbinas acopladas ao corpo ele chega à assustadora marca dos 190 Km/h em deslocamento horizontal...
Pettená afirma que um modelo testado já chegou a alcançar a velocidade de 3 m/s (11 Km/h); a mesma marca que ele e seu irmão, Ricardo, atingiam com os pára-quedas militares redondos abertos, na década de 70. O sonho não está tão longe assim...
Dicas
A posição correta no wing suit é a delta, onde o praticante deve estar relaxado, sem fazer força, com as pernas abertas, braços arqueados e mãos viradas para trás. Uma vez que o pára-quedista assimila tal procedimento o planeio é garantido! Apenas em 1999, o wing suit passou a ser fabricado e comercializado pelo finlandês Jarí Kuosma e o croata Robert Pecnik, através de sua fábrica BirdMan, nome dado em homenagem a todos os skydivers que ousaram sonhar com o vôo humano. São duas as recomendações que acompanham o traje: indicação para pára-quedistas com mais de 500 saltos e a frase impressa em sua etiqueta, jamais tente pousar com este macacão. A primeira já foi reformulada pelos instrutores brasileiros, diminuíram o limite para os 200 saltos. Já a segunda... não passa de uma singela advertência...
SERVIÇO
Para saber mais:
- Escola de Pára-quedismo Azul do Vento, Aeroporto do Amarais, Campinas, SP. [0xx19] 3246-0455, www.azuldovento.com.br
- Skylift, empresa que opera com o maior avião de lançamento de pára-quedistas do mundo, Aeroporto do Amarais, Campinas, SP. [0xx19] 3246-0455, ramal 33, www.skylift.com.br
- BirdMan, fabricante de wing suits, com escritórios na Flórida e Eslovênia, www.bird-man.com
Alo Cláudio, sugiro que deixe a página toda azul, estourando uma das fotos e colocando o texto no fundo, já que não está tão longo.
Valeu!
Abraços,
Baró


