'O vôlei é minha vida'
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terça-feira, 01 de março de 2011
Rafael Souza <br> Reportagem Local 
Hoje ele é considerado o melhor levantador em atividade no vôlei brasileiro. Status adquirido pelos quatro títulos de melhor da sua posição nas últimas edições da Superliga. Bruno Mossa Rezende, o jogador, que um dia teve seu talento questionado por ser filho de Bernardinho, técnico da seleção brasileira, vai mostrando aos poucos que caminha para ser mais um dos ícones do esporte que mais cresce no Brasil.
E quem mostra isso é o próprio currículo do jogador. Aos 24 anos, Bruninho coleciona conquistas de fazer inveja a qualquer atleta. São mais de dez títulos em seis anos como profissional, entre eles, quatro Ligas Mundiais e uma prata olímpica com a seleção, e mais quatro Superligas com a Cimed. Mas ele nem pensa em parar por aí. Autocrítico como o pai, Bruninho treina todos os dias querendo mais. Em entrevista exclusiva à FOLHA, ontem, antes do jogo contra Londrina, no Moringão, pela Superliga, o jogador comenta os principais momentos de sua curta, porém já vitoriosa, carreira.
Folha: Conte um pouco sobre o começo. Filho de pais jogadores, não tinha como optar por outra profissão, não é?
Bruno: Nasci dentro de uma quadra. Na barriga da minha mãe, já frequentava os ginásios e com o tempo fui começando a gostar de esportes. Com 14, 15 anos, meu pai falou que era o momento de optar por algum esporte, e então não tive dúvidas. O vôlei já estava no sangue e foi minha escolha. (Antes de optar pelo vôlei, Bruninho jogou badminton e chegou a disputar um campeonato no Moringão, em Londrina, quando tinha 12 anos).
Folha: Como é ser um dos melhores do Brasil depois de tantos questionamentos?
Bruno: Para mim, isso (questionamentos) sempre serviu de combustível, para me motivar a mostrar a essas pessoas o meu talento. Unanimidade ninguém é, quero apenas que as pessoas me respeitem.
Folha: O que você herdou de mais marcante do seu pai?
Bruno: Sou bastante autocrítico, como ele. O perfeccionismo que ele tem, eu me cobro muito, às vezes até demais. Além da paixão pelo que a gente faz. O vôlei é minha vida e não troco isso por nada.
Folha: Mudando de assunto: Cimed. Qual o segredo deste time?
Bruno: Não existe um segredo. Existe sim pessoas certas, jogadores determinados, que seguem a filosofia da equipe, de nunca acomodar. Não somos imbatíveis, somos um time de guerreiros, com um ambiente muito bom, então isso favorece para que a gente esteja sempre entre os primeiros.
Folha: Como se sente no meio de mais uma renovação na seleção brasileira? Está preparado para ser um dos líderes?
Bruno: Me sinto no meio termo. Não sou novato, mas também não sou veterano. Já disputei todos os campeonatos possíveis com a seleção, o que faz a responsabilidade ser cada vez maior. Pelo meu perfil, a liderança acaba sendo automática, mas sempre bem dividida com os outros jogadores.
Folha: Até o momento, qual sua maior emoção como jogador? Os títulos que considera mais importantes?
Bruno: Cada título tem uma emoção diferente. Mas o primeiro título com a Cimed, em 2005/06 foi muito marcante, porque ninguém acreditava na gente. Depois o primeiro título como titular na seleção, a Liga Mundial em 2009, naquele jogo em Belgrado, 3 a 2 na Sérvia, que foi um desafio muito grande para a nova geração. Naquele momento subimos um degrau na carreira.
Folha: Quem são os principais destaques desta Superliga?
Bruno: O Wallace e o Sidão, do Sesi, dão um equilíbrio e se destacam na equipe. O Wallace, do Cruzeiro, também, o Maurício, do Pinheiros, um jovem que vem muito bem. Como time, o Londrina, que surpreendeu muita gente, mas a mim não. Desde o começo, falei que este time ia brigar entre os oito. Tem o Allan, que é um dos melhores líberos do mundo, o Guilherme e o Renato, que eu já conhecia, que estão jogando muito bem. Enfim, uma equipe muito boa, muito equilibrada, que vem mostrando isso na competição.
Folha: Quem são seus ídolos no vôlei?
Bruno: Sempre me espelhei nesta geração que antecedeu a nossa, com Nalbert, Giba, Giovane, Maurício, Ricardinho, Gustavo, Anderson, Serginho. É uma geração toda que ficou na história como um dos times mais vitoriosos da história dos esportes coletivos. Os vejo não só como ídolos, mas como mitos do esporte.
Folha: O que esperar do vôlei brasileiro daqui para frente?
Bruno: Não é fácil de lidar com a pressão de ser sempre um favorito. E temos condições mesmo, se for trabalhado corretamente de se manter entre os melhores. Temos uma duas ou três gerações na sequência que podem ainda manter o nível, mas a gente precisa de mais. O trabalho de base pode melhorar e muito no Brasil, para formar mais jogadores pensando não só em 2016, mas também mais a frente, em 2020, 2024.


