O Vasco, o Londrina e o Veríssimo
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segunda-feira, 09 de novembro de 1998
Luiz Claudio Oliveira 
Na semana passada, quando falava da democracia no futebol e questionava se a concentração é algo útil ou inútil, um importante parágrafo acabou suprimido por falta de espaço. O parágrafo suprimido falava da insensatez do técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, que em entrevista à rádio Joven Pan, em São Paulo, elogiou o ditador chileno Augusto Pinochet, que estava detido na Inglaterra.
Referindo-me a Scolari, invoquei o escritor Luiz Fernando Veríssimo, dizendo que o treinador do Palmeiras ganhava títulos fazendo seus atletas jogarem algo parecido com o futebol, como o filho de Érico Veríssimo referiu-se à Alemanha. Hoje, tento continuar nestes temas de democracia, Scolari, Veríssimo e etc.
Apesar de não ser um admirador do estilo e muito menos das palavras do técnico Luis Felipe, creio que o Brasil todo que gosta de futebol deve agradecer ao time do Palmeiras por ter praticamente tirado o Vasco da competição. Se o time carioca dirigido por Eurico Miranda se classificasse, o que agora está bem difícil, seria muito provável que o Campeonato Brasileiro fosse interrompido e só viesse a ser concluído no ano que vem. O Vasco, com o jogo da decisão do mundial de clubes, contra o Real Madrid, em Tóquio, usaria toda a influência de Eurico Miranda para adiar seus jogos e, assim, complicar ainda mais a tabela.
Eurico Miranda é o símbolo do que há de ruim contra a ética e a moral do futebol do Brasil. Mas nem tudo é culpa dele. O que ele conseguiu até agora neste torneio para o Vasco, só o fez porque a CBF é muito desorganizada. Ele apenas se aproveita da brecha deixada pelos incompetentes da CBF.
O estranho é que as pessoas que taxam Eurico de antidemocrático e anti-ético, tentam, no nível estadual, repetir os atos do cartola carioca. Aqui no Paraná, os dirigentes do Ponta Grossa querem vender - isso mesmo, vender! - a sua vaga na primeira divisão para o Londrina. E o Londrina quer comprar. Isso, além de imoral, é ilegal. Basta dar uma olhada na Lei Pelé: ela define que os campeonatos com mais de uma divisão têm, obrigatoriamente, de prever acesso e descenso por critérios técnicos. Quando um clube cai, ele só pode subir de novo depois que passar pela nova divisão de acesso. Se alguém fosse entrar na vaga deixada pelo Ponta Grossa, seria o Foz do Iguaçu, que já passou por esta divisão de acesso e se classificou em terceiro lugar, sendo o mais próximo suplente para chegar à primeira divisão.
Quanto ao Ponta Grossa, ele não pode nunca, como quer, vender a sua vaga, porque isso é passível de punição pesada para o clube. Pode, se quiser, simplesmente desistir da competição e aí vai ter que se submeter também às penalidades previstas na lei, podendo cair para a terceira divisão.
Agora, vamos voltar a Luis Fernando Veríssimo, citado neste texto e que é, além de um grande escritor, um grande democrata, um amante do futebol e torcedor do Internacional de Porto Alegre. Não se pode compará-lo a um Eurico Miranda ou a um desses diretores de clubes do Paraná que admitem algo imoral e ilegal que é negociar vaga em um campeonato. Pois Veríssimo defende a organização de campeonatos em que não haja acesso e descenso. Isso, por enquanto, é ilegal. Mas pode vir a ser legal, utilizando-se a própria lei. Como o espaço acabou, voltaremos a esse tema na semana que vem. Mandem suas opiniões.


