O sonho nas mãos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Lucio Flávio Cruz<br> Reportagem Local 

O sonho de jogar na maior liga de beisebol do mundo literalmente passou pelas mãos de dezenas de jovens na última semana em Londrina. A cidade recebeu uma das etapas de um trabalho de descoberta de novos talentos desenvolvido pela Major League Baseball (MLB).
Com forte presença da comunidade japonesa e tradição na prática e revelação de jogadores de beisebol, Londrina voltou a ser escolhida pela liga profissional norte-americana e recebeu mais de 50 garotos de 13 a 18 anos de cidades do Paraná e do interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
A "peneirada" da MLB no Brasil, realizada pela segunda vez na cidade, teve etapas ainda em Ibiúna (SP) e Marília (SP), somando 200 jogadores observados. A escolha e a análise do desempenho ficaram a cargo de dois venezuelanos, observadores oficiais da MLB e do brasileiro Thiago Caldeira, ex-jogador e atual técnico da seleção brasileira, e olheiro da liga no País.
De cada etapa serão escolhidos entre 10 e 15 jogadores, que vão receber bolsas para treinar durante um ano no Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS), em Ibiúna. "No ano que vem faremos o Elite Camp com estes jogadores. Diversos treinadores ligados à MLB estarão no Brasil e estes meninos terão a oportunidade de conseguir bolsas de estudo e treinamento nos Estados Unidos e até contratos profissionais", explica Caleb Santos-Silva, coordenador e comissário da MLB.
Descoberto há quatro anos em um projeto social da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel) na escola onde estudava, Sulivan Ribeiro de Almeida, 12 anos, aparece como uma das grandes revelações da modalidade e por isso já treina no CT da seleção brasileira. "Quando conheci o beisebol gostei da ação do jogo e me identifiquei com os times", revela o menino, que atua como pitcher (arremessador) e garante ter o apoio irrestrito da família. "A vinda desses olheiros é uma oportunidade muito boa de me ajudar no meu sonho, que é me tornar um profissional".
Enzo Issao Kawamura venho de Presidente Prudente (SP) com mais três amigos para tentar convencer os observadores da MLB. Aos 16 anos, Enzo sabe que a disputa com jogadores mais velhos dificulta o trabalho, mas reconhece a importância da experiência. "Já participei outras vezes e acredito que tenho conseguido evoluir no meu jogo. Independentemente de ser escolhido ou não, a experiência vale muito".
O londrinense Guilherme Palhares, 14 anos, abandonou o futebol para conhecer o beisebol, após o convite de amigos. Desde o início do ano mora, treina e estuda no CT de Ibiúna, onde tem condições de qualificar o seu desempenho. "A diferença é que lá a dedicação é total e treinamos todos os dias, além de ter diversos treinadores. O objetivo agora é conseguir uma bolsa e até mesmo um contrato para jogar nos Estados Unidos", afirma.
"Em Ibiúna, estes meninos têm todo um trabalho especial de preparação física, musculação e treinos indicados por técnicos da MLB. A partir disso, são todos considerados de alto potencial para estudar e jogar nos EUA", aponta Santos-Silva.


