Londrina - Londrina tem uma espécie de Ricardo Teixeira do futebol suíço. Um cara que conhece todos os campos e quase todas as equipes da cidade, que recebe taxa de participação das equipes, confere as principais delas em ação nos gramados, marca e desmarca jogos, fiscaliza a disciplina dos times, verifica se chegam no horário combinado e ainda por cima cobra taxa do clube desistente em caso deste dar W.O. A única coisa que não há nos seus jogos é julgamento dos jogadores na semana seguinte à rodada pelo STJD, como aconteceu com frequência neste Campeonato Brasileiro. Também, era só o que faltava...
O nome deste ''cartola'' é Fernando Marques de Oliveira, 49 anos, uma figura desconhecida do grande público, mas famoso no meio do futebol suíço de Londrina. E o ramo dele é o suíço - fique bem claro isso - não o futebol amador (de campo), dada a característica das equipes que acompanha. Geralmente são times de empresas, de grupos de amigos ou de igrejas, aquele pessoal que tem outra profissão, que nunca treinou profissionalmente, mas como todo brasileiro, gosta de ''bater uma bolinha'' no final de semana.
Fernando entra em contato toda semana com 220 times de Londrina e Cambé e recebe um cachê fixo de 110 dessas equipes. Seu cachê mensal gira em torno de R$ 20 a R$ 30 por equipe e representa a taxa paga pelos boleiros para que Fernando faça o trabalho de agendar o campo e arrumar uma boa equipe para o time jogar contra, seja no sábado à tarde ou no domingo pela manhã.
''Faço um trabalho que quase ninguém gosta de fazer, que é o de ligar para os caras, ver quem vai jogar, qual o melhor horário e arrumar adversário. E faço isso toda semana com 220 times. Tenho as fichas com vários telefones dos responsáveis de cada time e passo a maior parte do meu dia falando ao telefone'', conta o folclórico empresário, que revela gastar uma fortuna com contas telefônicas.
''Sou bem econômico, e ainda assim gasto entre R$ 450 e R$ 500 por mês só de telefone. Só faz isso quem tem muita paixão por futebol'', garante Fernando. Para ser localizado pelos boleiros (evitar que seu telefone esteja sempre ocupado) e também para economizar com ligações, Fernando dispõe de quatro celulares. ''Tenho um de cada operadora para ligar para os caras que têm o número daquela operadora, seja TIM, Vivo, Sercomtel... Assim eu pago bem mais barato o minuto e aproveito os bônus que cada empresa me dá'', ensina o econômico Fernando de Oliveira.
Fora isso, ele também usa o telefone fixo de casa, onde trabalha incansavelmente das 8 às 14 horas marcando os jogos para os boleiros. ''Levo esse negócio a sério e não posso parar um dia sequer, senão não dá tempo de esquematizar os 110 jogos na semana. Para mim, isso virou uma profissão'', frisa Fernando. Ele admite que a atividade, que iniciou há seis anos, hoje lhe rende bem mais do que recebe com o seu trabalho tradicional, como vendedor de amendoim no atacado, que executa depois das 14 horas.
E foi justamente passando pelos bares, campos de associações e chácaras, na condição de vendedor de amendoim, que Fernando descobriu o filão que podia ser explorado. ''Passava pelos campos e via a dificuldade que o pessoal tinha para achar adversários diferentes, pois não queriam ficar sem jogar no sábado. Mas é uma coisa que ninguém gosta de fazer. E me dispus a fazer isso, já que conhecia muitos times devido ao meu trabalho como vendedor'', conta.

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