De ‘chuteiras novas’, como ele define o andador, o eterno craque de 76 anos participou de eventos na capital paranaense e elogiou a grande fase da seleção brasileira
De ‘chuteiras novas’, como ele define o andador, o eterno craque de 76 anos participou de eventos na capital paranaense e elogiou a grande fase da seleção brasileira | Foto: Wagner Araújo/Divulgação/TCE-PR



"Pelé é tão perfeito que se não tivesse nascido gente, teria nascido bola". A declaração do mestre Armando Nogueira instigado pelo fascínio despertado pela atuação em campo da majestade absoluta do futebol mundial, segue fazendo sentido até quando o ex-jogador, com 76 anos, temporariamente circula de "chuteiras novas", o andador, que o auxiliou a cumprir uma extensa agenda de compromissos em Curitiba, mesmo em recuperação da segunda cirurgia no quadril. Aliás, a atenção dispensada por ele às causas da infância tornam evidente que a humanidade levou vantagem com o fato de Edson Arantes do Nascimento "nascer gente".

Pelé esteve em vários eventos, durante a noite de quarta-feira e o decorrer de quinta-feira, no Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), no Grupo Uninter, no Instituto Pelé Pequeno Príncipe e na Associação Paranaense dos Juízes Federais (Apajufe). No TCE-PR, ele apresentou o Programa Esportivo Lúdico Escolar, cuja proposta é trabalhar todas as modalidades esportivas olímpicas nas escolas sob o viés do desenvolvimento da cidadania desde o primeiro ano do Ensino Fundamental até o último ano do Ensino Médio. "Só melhora o futuro se confiar e acreditar. O Brasil foi campeão mundial em 1958 em uma realidade muito complicada. Hoje, o Brasil é um país respeitado no mundo todo, mesmo passando por essa fase difícil, triste politicamente", ponderou. Ainda sobre o país, ele classificou como "discutível" a reforma do Ensino Médio (Medida Provisória 746) que tem como uma das propostas tornar opcional a disciplina de Educação Física.



MILÉSIMO GOL

Acostumado a mesclar o conteúdo de suas bandeiras com os feitos em campo, Pelé lembrou da entrevista histórica após o milésimo gol de sua carreira que levou a causa das crianças a conquistar espaço para uma série de ações relacionadas ao ídolo. "Tudo isso que está acontecendo agora foi resultado da entrevista depois que falamos para tomar conta das crianças, dar escola para as crianças. Foi essa a importância do milésimo gol", avaliou. Ele também aproveitou para admitir que "tremeu" durante a cobrança do milésimo gol, um pênalti cobrado em uma partida no Maracanã lotado contra o Vasco, que completa 47 anos neste sábado (19). "Tremi a perna. E o mais engraçado é que quando pus a bola no pênalti, voltei para tomar o passo de bater e olhei, o time do Santos estava todo no meio do campo de mãos dadas. Se a bola bate na trave e volta e o goleiro rebate, quem pega?", recordou. "Para os mais jovens, às vezes, o pessoal fala que bater um pênalti ou uma falta é fácil, mas não é tão fácil assim. Só eu sei o que passei", afirmou.

Imagem ilustrativa da imagem O Rei não perde a majestade




SELEÇÃO

O rei também falou sobre a atual fase da seleção brasileira sob o comando do técnico Tite. "É uma equipe coerente, que você tem confiança, com uma defesa bem armada e o time jogando bem. O Tite conseguiu dar personalidade para a equipe", elogiou. Sobre Neymar, ele respondeu à Folha em tom de brincadeira sobre a impossibilidade de "ser um novo Pelé". "Meu pai e minha mãe já fecharam a fábrica", brincou. "É cedo para falar, mas sabemos que é um excelente atleta, cria nossa (Santos). Meu filho Edinho treinou ele. De fato Neymar é um talento", arrematou o Rei, que balançou as redes 95 vezes em 115 partidas com a Amarelinha. O atual camisa 10 marcou seu 50º gol na seleção na vitória de 3 a 0 sobre a Argentina na penúltima rodada das Eliminatórias. Neymar já vestiu a camisa verde e amarela em 76 jogos.

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