Londrina - O Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o governo federal e a Prefeitura do Rio de Janeiro têm propagado maciçamente que o Brasil segue firme na candidatura para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, aproveitando assim parte da estrutura construída para sediar os Jogos Pan-Americanos do Rio, ano passado. Porém, o que para o governo e os cartolas das confederações é motivo de ufanismo, orgulho e de um rosário de promessas para torcedores e a população em geral, para os especialistas e técnicos da área é motivo de preocupação.
Afinal, se apenas para sediar o Pan do Rio, em agosto de 2007, o Brasil enfrentou dificuldades, atrasos nas obras e um estouro brutal no orçamento inicialmente previsto - o custo inicial de menos de R$ 1 bilhão passou para R$ 4 bilhões -, imagine então para realizar uma Olimpíada. Para realizar os Jogos de Pequim, disputados no mês passado, o governo chinês gastou perto de US$ 40 bilhões - dez vezes mais do que a Grécia desembolsou para sediar a Olimpíada de Atenas, em 2004, já que na capital grega foi despendido menos dinheiro com construções em comparação com Pequim.
O anúncio da cidade que será sede dos Jogos em 2016 só ocorrerá no dia 2 de outubro de 2009, em Copenhague (Dinamarca). O Rio concorre com cidades de peso, como Chicago, Madri e Tóquio. Fora os problemas financeiros para sediar um evento desse porte, no aspecto esportivo o Brasil corre o risco de fazer feio numa Olimpíada realizada ''em casa'', se forem consideradas suas últimas participações. Na mais recente, em Pequim, por exemplo, o Brasil foi o 23º colocado no geral. Não chegaria nem perto do que conseguiram Austrália e Grécia quando foram anfitriãs.
País de porte equivalente ao nosso, a Austrália fez um grande projeto olímpico para o ano 2000 e obteve em Sydney o 4º lugar no geral (com 16 medalhas de ouro). Enquanto isso, o Brasil foi o 52º colocado (nenhum ouro). Já a Grécia, com sua pequena população em comparação com o Brasil, foi 15 em Atenas (seis de ouro).

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