Enfim, o Tubarão venceu no Café e está a um ponto do G4. Com dois jogadores a mais no campo, o LEC levou um susto no final, uma bola na trave, e a torcida pegou no pé do Tencati. Com chuva e gramado pesado, o resultado foi o mais importante para aliviar a pressão dentro de casa, apesar de algumas vaias injustas.
Não é só o LEC que sofre com as retrancas quando é o mandante da partida. Na semana passada, matéria desta FOLHA mostrou que nas primeiras três rodadas do returno, ou seja, 30 jogos, foram apenas oito vitórias de equipes diante dos seus torcedores na Série B.
Atuar em casa exige volume de jogo, toque de bola, paciência (dos atletas e dos torcedores também) e, principalmente, talento individual para deixar o companheiro na "cara" do gol ou para quebrar a defesa adversária com os dribles, beleza cada vez mais rara. Aí o problema não é só nosso, mas de todo futebol brasileiro, hoje, com um número bem menor de craques que desequilibram a partida. Quem brilha muito, logo vai embora. Adeus Gabriéis!
Na Série A, um dos clubes com futebol mais vistoso tropeçou em casa na última rodada. O Santos perdeu de 1 a 0 para o Figueirense, que luta para não cair, e nem o talento dentro de campo conseguiu evitar o passeio da zebra na Vila. No gramado, Lucas Lima estava apagado e pouco fez naquela manhã de domingo. No banco de reservas, o treinador Dorival Júnior, que fez estágio no Barcelona antes de voltar ao Peixe, não encontrou saídas para furar a retranca. Tem dia que nem 70% de posse bola e "tiki-taka" resolvem o jogo se falta o craque inspirado em campo.
Quando a Série B começou, o papo no LEC era permanecer na segunda divisão e, atualmente, a equipe está na sexta colocação, com 37 pontos, a quatro do líder Vasco. Que venham mais pontos de fora e no Café, junto com apoio da torcida que precisa reconhecer a grande campanha deste ano. O equilíbrio é a marca das séries A e B.

DESORGANIZADAS

Torcedores (não sei se realmente são) invadiram o CT do São Paulo e agrediram jogadores após o Tricolor romper com as organizadas. O STJD puniu na semana passada Flamengo e Palmeiras pela confusão no Mané Garrincha em decisão inédita que tenta preservar a presença do torcedor, mas proíbe a entrada das organizadas. Por aqui, mais confusão. O LEC perdeu um mando de jogo por causa de uma bomba que teria sido lançada por uma organizada na partida contra o Goiás. Os esmeraldinos responderam com pedras. Passou da hora da polícia, MP e clubes se unirem para separar o joio do trigo.

Rafael Fantin
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