Kamen - Um ídolo nacional que chegou à Alemanha na berlinda, após uma temporada ruim no Real Madrid. Fora a briga do brasileiro com a balança, as trajetórias de Raúl e Ronaldo nesta Copa do Mundo são bem parecidas. Após duas estréias decepcionantes, eles conseguiram dar a volta por cima ainda na primeira fase, ajudando Espanha e Brasil a terminarem no primeiro lugar de seus grupos.
Na estréia brasileira contra a Croácia, Carlos Alberto Parreira tirou Ronaldo no segundo tempo, mas lhe deu um voto de confiança. Luís Aragonés não teve a mesma paciência e pôs seu principal jogador no banco na segunda partida, contra a Tunísia. O castigo surtiu efeito. Raúl entrou, fez o gol de empate dos espanhóis e abriu o caminho para a vitória por 3 a 1 nos minutos finais.
Brasil e Espanha chegaram à última rodada da fase já classificados, com seis pontos, e seus treinadores decidiram poupar alguns jogadores. Ronaldo e Raúl foram para campo, ganhar confiança e um pouco do ritmo que lhes faltou na última temporada.
O Real Madrid terminou o Campeonato Espanhol em segundo lugar, 12 pontos atrás do campeão Barcelona. Ronaldo marcou 14 gols e ficou em quinto na tabela de artilheiros. Raúl fez apenas cinco. Contra a Arábia Saudita, na sexta-feira, ele fez boas jogadas, mas não balançou as redes. O gol da vitória, que garantiu os 100% de aproveitamento no grupo E, foi marcado por Juanito.
O atacante espanhol vinha sendo muito criticado nos últimos meses e suas atuações nos amistosos que antecederam a Copa serviram de munição para desafetos. Contra a Croácia, em Genebra, ele quase não tocou na bola e foi completamente ofuscado pela atuação de Xavi e Torres. Só não foi vaiado porque Aragonés o tirou no intervalo da partida.
Assim como no caso de Ronaldo, o apoio dos companheiros tem sido fundamental na recuperação do camisa 7 da Espanha. Na seleção brasileira, Ronaldo é chamado de ''presidente'' pelos mais jovens, como Robinho. Na Espanha, Raúl é apelidado ''chefe'' dentro da seleção, por ser capitão e um dos mais antigos do grupo.
Michel Salgado foi um dos que levantaram a voz em favor de Raúl. ''Raúl é um grande amigo e um grande jogador. A Espanha e o Real Madrid precisam muito dele, embora muita gente insista em criticá-lo'', afirmou Salgado, que deu um forte abraço em Raúl após o gol do atacante contra a Tunísia. ''Foi o abraço como muitos que já demos no Real Madrid, mas numa Copa do Mundo isso chama mais a atenção. Um abraço para demonstrar o grande apreço que tenho por ele''.
Ronaldo também foi muito festejado ao marcar o primeiro de seus dois gols sobre o Japão. No caso espanhol, a euforia com o renascer de um velho ídolo virou até artigo no site oficial da federação: ''O fator Raúl ressurgiu em Stuttgart e isso aconteceu para a alegria de milhões de espanhóis. O chefe continua vivo''.
O presidente também.

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