Los Cardales - Lúcio tem 33 anos, 11 deles dedicados à seleção brasileira. Foi campeão mundial em 2002 e participou das outras duas Copas, sendo capitão na da África. Por tudo isso, tem moral de sobra para cobrar os candidatos a estrela que poluem o noticiário diário da seleção brasileira. De forma indireta, foi o que fez ontem. O capitão deu uma bronca pública nos estrelismos da seleção brasileira e, sem medir as palavras, chutou o balde: ''O símbolo que está na frente da camiseta é mais importante do que o nome que vai atrás'', disparou.
Lúcio é a seriedade em pessoa. Dificilmente se pode ver um sorriso, uma brincadeira vinda dele. Por isso, quer o mesmo comportamento dos companheiros, principalmente neste momento difícil que a seleção brasileira passa, sendo questionada pelo excesso de firulas e escassez de futebol e de resultados.
Na era Mano Menezes, o Brasil ainda não convenceu. Além do péssimo futebol, o time não conseguiu vencer na Copa América. Foram dois empates, diante de Venezuela e Paraguai, e com duas apresentações ruins. Ainda assim, depende das próprias forças para se classificar. Basta vencer o Equador amanhã, às 21h45, no Estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba.
''A gente podia estar tranquilo se tivéssemos dois resultados positivos, mas ainda tudo depende das nossas forças, depende do nosso resultado diante do Equador. Sabe-se que como os dois outros jogos não foram fáceis, esse também não vai ser, mas a nossa equipe tem condições'', afirmou Lúcio.
Em sua entrevista coletiva ontem, no hotel em que a Seleção está hospedada, em Los Cardales, o zagueiro da Inter de Milão cobrou comprometimento dos mais experientes e, principalmente, dos mais jovens e também mais badalados. ''Como capitão ou como jogador mais experiente, dentro do campo cada um tem que dar o seu máximo, tem que buscar o seu melhor, cada um dentro da sua posição. Ali não vai mudar muito o fato de ter mais experiencia ou não. Cada um vai ter que mostrar o seu desempenho e o por quê está na seleção. Aqui não é apenas uma vitrine mundial. Cada um tem que saber o peso da camisa da seleção brasileira e a responsabilidade que cada um tem aqui dentro'', exigiu.
Por falar em vitrine, justamente as duas esperanças brasileiras, os santistas Paulo Henrique Ganso e Neymar vivem na berlinda das transferências e convivem com especulações sobre o futuro. A dupla sabe que é o foco das atenções nessa Copa América. Até por isso, estão sendo acusados de jogarem para aparecer, principalmente o camisa 11, que abusou das jogadas individuais contra o Paraguai. ''A gente tem sempre que preservar a seriedade e o comprometimento com a seleção brasileira. O símbolo que está na frente da camiseta é mais importante do que o nome que vai atrás. Isso a gente tem que frisar sempre'', cobrou duramente Lúcio.

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