Foz do Iguaçu - A tríplice fronteira tem um motivo especial para acompanhar a Copa do Mundo. Ela é a única região do planeta cujos três países participam do torneio. Aqui, basta percorrer pouco mais de 20 quilômetros para encontrar grupos de torcedores com camisetas do Brasil, Paraguai e Argentina.
A França, por exemplo, está ligada geograficamente à Espanha, Bélgica, Itália e Alemanha, mas em áreas distintas. A Alemanha tem fronteira com a Polônia, Dinamarca, Bélgica e França, também em pontos diferentes. O mapeamento descarta territórios pertencentes aos europeus.
A singularidade trinacional começa em Foz do Iguaçu, cruza a Ponte da Amizade para chegar a Ciudad del Este (Paraguai); depois a Ponte Tancredo Neves, percurso para Puerto Iguazú (Argentina). Estas são as rotas para quem for vibrar com vitória ou zoar derrota dos ‘‘hermanos’’. Situação semelhante aconteceu apenas em 1930, 1958, 1986 e 1998.
A região tem outro ingrediente para ficar antenada na Ásia. Das 32 nações participantes do campeonato, pelo menos 23 delas têm imigrantes em Foz, segundo a Polícia Federal. A diversidade pode ser maior porque o cadastro da PF ignora estrangeiros ilegais e das cidades vizinhas.
Todos estão em clima de festa, como demonstram duas enormes bandeiras do Brasil e do Paraguai colocadas uma logo abaixo da outra, em um prédio de Ciudad del Este. Mas as paixões tendem a aflorar, afinal o caldeirão cultural tem 555 mil habitantes, loucos para liberarem o grito de gol de seus ídolos, independente do adversário.
Entre eles, está o paraguaio o Vidal Cano Ferreira, 40, que vende camisetas falsificadas a seis dólares. ‘‘Vou torcer para a ‘Albijorra’ (apelido da seleção), depois para o Brasil’’, garantiu o camêlo. Assim como ele, empresários investem em produtos ligados à Copa do Mundo para atrair consumidores, desde bolas a rádios personalizados.
Já os argentinos apostam em Crespo, Batistuta e Simeone para ganhar o tetracampeonato, enquanto brasileiros lembram que a estrela de Ronaldinho Gaúcho na seleção começou a brilhar contra a Venezuela, em Ciudad del Este, pela Copa América de 1999. O atacante deu um chapéu no zagueiro e fez um golaço, abrindo caminho para o título.

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