No rosto, o ainda garoto Lucas Barros, 12 anos, traz os traços do pai famoso por ser o único brasileiro a ter seguido carreira internacional por muitos anos como pilotos de motos no principal campeonato da categoria, a Moto GP. No ano passado, Alexandre Barros decidiu se aposentar mas acabou influenciando o filho a trilhar o mesmo caminho. Correndo pela primeira vez ontem, no Autódromo Ayrton Senna, em Londrina, entre motos de 135 a 250 cc, o menino mostrou que herdou o talento do pai e que tem personalidade para trilhar o próprio caminho.
Acompanhado pelo avô, Antônio Coelho, Lucas Barros viu o precoce e também talentoso Eric Granado, com 12 anos, vencer de ponta a ponta as duas baterias. Mas Lucas veio para Londrina para correr sem preocupação com o resultado. Nas próximas semanas, o garoto viaja para a Espanha e em maio estréia no Campeonato Espanhol para pilotos entre 12 e 16 anos. Em entrevista à FOLHA, o menino disse que respeita o pai como piloto mas avisou que não quer ser reconhecido apenas como o filho do Alexandre Barros.
Folha de Londrina - As pessoas cobram mais de você por carregar um sobrenome famoso?
Lucas Barros - Cobram mas eu falo que meu pai é ele e eu sou eu. Sou o Lucas Barros e não o Alexandre Barros. Eu sou uma pessoa diferente.
FOLHA - Qual a relação do pai Alexandre Barros com a sua carreira?
Ele me incentiva e conta muitas histórias de quando era menor. Eu guardo isso na cabeça e presto muito atenção porque ele tem muita experiência. Ele viveu muito nesse mundo do Moto GP e me influencia em todos os aspectos.
FOLHA - Ele te influenciou nesta escolha?
Sim. Às vezes, fico impressionado com ele. Ele vai me acompanhar nos treinos, nas corridas e me dá muitas dicas. Eu escuto porque é uma pessoa mais velha que já viveu neste mundo de corridas e aí faço tudo certinho, tudo perfeitinho. Ouvi-lo é o melhor.
FOLHA - Você quer chegar onde seu pai chegou?
Quero muito chegar na Moto GP e ser campeão também.
FOLHA - Você tem 12 anos e já corre há alguns anos. Seu pai também começou cedo?
Ele começou com sete anos. Eu comecei com uns oito, nove anos mas corria de kart. Dei uma parada e agora resolvi que vou pegar firme na moto, que é o que gosto.
FOLHA - Seu pai parou no ano passado depois de muito tempo como piloto de motos. Você espera ter uma carreira longa também?
Fazia 30 anos que ele corria e achou melhor dar uma parada. Talvez no ano que vem ele volte a correr na Super Bike. Eu espero que minha carreira também seja bem longa e bem vitoriosa.
FOLHA - Você gostou do seu desempenho em Londrina?
Fiquei em oitavo na primeira bateria em minha primeira corrida aqui. Fiz a terceira melhor volta e para uma primeira vez está ótimo, até porque minha moto era a mais fraca - 70 cc - e chega só a 180 km/h.

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