O mais talentoso jogador da atual geração alemã é um descendente de turcos, Mesut Özil. Khedira descende de tunisianos, Boateng, de ganeses, e Klose e Podolski nasceram na Polônia. Esse caldeirão de nacionalidades produziu um time inventivo e atrevido com a bola nos pés. E muito disciplinado sem a bola, porque, afinal de contas, continua sendo a Alemanha.
Neste domingo, essa seleção miscigenada terá a chance de alcançar a sua maior façanha. E o fará com a mesma equipe que iniciou os dois últimos jogos. Depois dos 7 a 1 sobre o Brasil, seria estranho se Joachim Löw fizesse alguma alteração. Assim, a Alemanha vai apostar no toque de bola de seu meio-campo. Caberá também a Özil e a Thomas Müller, abertos pelas pontas, a tarefa de alimentar o eterno goleador Miroslav Klose, mas a Argentina sabe que é com Müller que precisa se preocupar mais. Ele é o arco e a flecha.

MAIS EUROPA
Em um caminho inverso, os argentinos apostam no processo que eles chamam de "europeização", ou seja, a presença da maioria dos jogadores no futebol europeu, para aperfeiçoar a histórica habilidade com a bola. Em termos práticos, isso significa que a genialidade de Messi para criar, driblar e finalizar convive bem com a disciplina tática de Lavezzi, por exemplo, que ataca e marca.
O ponto forte continua sendo o improviso, mas a Argentina cresceu na Copa à medida que conseguiu um equilíbrio entre o ataque e a defesa. Há disciplina tática. O volante Javier Mascherano, que vem jogando o fino, é o símbolo de um time centrado. O esfacelamento do Quarteto Fantástico, com as contusões de Agüero e Di María, também obrigou a equipe a reinventar seu jogo durante a competição.
Messi ataca, mas se preocupa em ocupar espaços quando não tem a bola. Higuaín corre atrás dos zagueiros. A Argentina vai precisar de tudo isso neste domingo. Enzo Perez será o substituto de Di María e Lavezzi será mantido apesar da recuperação de Agüero. A defesa está nos eixos com Demichelis e Biglia como protetor.
Argentina e Alemanha fizeram duas finais de Copa. Cada seleção venceu uma. No tira-teima do Maracanã, será campeã a equipe que melhor sintetizar estilos que não podem mais ser separados.

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