Aos 64 anos, trabalhando em uma repartição pública – como agente fiscal da Receita Estadual –, pai de um arquiteto, um executivo e uma dentista, Antero Bombassaro anda pelas ruas de Londrina incólume, sem ser reverenciado pelas ruas da cidade que tem muitas dívidas de gratidão por ele.
‘‘Não sou saudosista e não gosto de badalação. Prefiro acompanhar tudo à distância’’, explica Bombassaro, conhecido como Gauchinho, o maior artilheiro da história do LEC, com 303 gols, e considerado por um seleto grupo de torcedores, o maior jogador da história do clube. De 1962 a 1974 (com uma passagem pela Prudentina-SP em 1967), foi a principal referência entre os titulares.
Em uma hipotética viagem ao passado, 38 anos atrás, os torcedores mais jovens poderiam descobrir o significado destes números. Foi o nome mais marcante do Campeonato Paranaense de 1962, o único dos três títulos paranaenses do LEC conquistado contra uma equipe da capital – uma vitória de 4 a 2 contra o Coritiba, no Alto da Glória.
‘‘Não existia esta diferença entre os clubes curitibanos e a gente. O interior era fortíssimo. Demos muito trabalho durante toda a década de 60’’, lembra Gauchinho, que só foi ter carro próprio após esta conquista, seis anos após sua profissionalização. As luvas do contrato assinado naquele ano foi um Gordini zero quilômetro. ‘‘Nesta época, os jogadores passaram a ser vistos com outros olhos. Antes, éramos considerados quase marginais’’, desabafa.
Gauchinho (na verdade, um catarinense de Capinzal), dá uma receita simples para que o Estádio do Café se transforme no festivo VGD da década de 60. ‘‘Investidores de peso. Sem eles, nunca mais seremos tão fortes’’.

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