São Paulo - O pentacampeonato conquistado pelo Brasil em 2002 abriu as portas do leste europeu para os atletas nascidos na terra de Ronaldo, Rivaldo e Roberto Carlos. Números ainda não oficiais da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) indicam que pelo menos 40 jogadores deixaram o País nos últimos 12 meses em busca de uma oportunidade, ou de muito dinheiro, para atuar na Rússia, Ucrânia, Hungria, Polônia, entre outros.
Portanto, a investida recente em Alessandro, Gustavo Nery e Tinga e Gilberto, ambos do Grêmio, não pode ser vista como um fato isolado. O clube gaúcho conseguiu 'dobrar' Tinga e fez um ajuste no salário do meia para que recusasse proposta do Dínamo de Kiev, da Ucrânia, onde também atuará o lateral Alessandro, que deixou o Palmeiras sem dar satisfação e seguiu rumo ao país-natal da escritora Clarice Lispector.
Gustavo Nery deve ser o próximo a seguir para a Europa oriental, para o Shakhtar Donetsk, rival do Dínamo, por US$ 2,2 milhões, à vista. O São Paulo ainda espera um outro documento do clube ratificando a proposta.
Só em janeiro deste ano várias contratações foram feitas por equipes da Rússia. Foram para lá Géder e Bóvio ex-Vasco , Roni e Flávio ex-Fluminense , Souza, ex-São Paulo, Da Silva, ex-Coritiba, e Calisto, ex-Bahia. Bulgária e Romênia também tiveram a sua fatia de jogadores brasileiros em 2002 e início de 2003.
''São quase 15 atletas do Brasil em atividade na Bulgária. Fiz muitos gols por lá e a torcida não gostou de minha saída'', contou o atacante Agnaldo, mais um que saiu do Fluminense para o exterior. Ele trocou o futebol búlgaro dois meses atrás pelo da Coréia do Sul e não quer saber, por enquanto, de Itália, Espanha, Portugal, Inglaterra ou Alemanha.
O Departamento de Registro e Transferência da CBF atende atualmente a uma média de dois pedidos de licença por mês para algum atleta deixar o País rumo ao leste europeu.
Se as solicitações para atuar em Portugal e Itália fossem deixadas de lado, poderia-se afirmar que existe um 'empate' no interesse dos jogadores brasileiros em se transferir para a Europa ocidental e a oriental.
Em 2002, por exemplo, o número de atletas brasileiros com autorização da CBF para jogar na Polônia foi maior do que os que optaram pela Espanha.
Eslováquia, Croácia, República Checa e ainda Iugoslávia e Albânia integram esta ''terceira via''.
Deve-se ressaltar, porém, que a maioria desses jogadores não tem vida longa nesses países. Há um vaivém intenso nas transações, o que sugere muitas vezes que o negócio é altamente vantajoso apenas para os empresários dos atletas.

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