O legado de um pugilista
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sábado, 05 de setembro de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Se existe uma tarefa difícil na vida é desbravar os horizontes. Iniciar um trabalho do zero chega a ser desanimador e envolve muita persistência. Assim foi a trajetória de Miguel de Oliveira, que mantém desde 1980 uma academia embaixo das arquibancadas do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, na rua Jorge Casone. Atualmente, o lutador e técnico de boxe está internado com problemas no pulmão e sua saúde preocupa familiares e amigos.
''Ele está há mais de 40 dias na Unidade de Terapia Intensiva e estamos apreensivos. Os médicos dizem que a melhor coisa é ter paciência porque o estado é delicado, mas estamos confiantes com a melhora dele'', afirmou a esposa Selma de Oliveira. Miguel, que por muitos anos foi técnico da seleção paranaense de boxe, foi condecorado cidadão honorário da cidade em novembro de 2007.
Segundo o filho e pugilista César de Oliveira, a primeira academia ocupava um espaço na antiga Rádio Patrulha, em 1975, quando ainda treinava com o sargento Maurício Pereira. Em 1980, mudou-se para o VGD onde desenvolveu todo seu trabalho desde quando começaram a chegar os primeiros alunos, prioritariamente policiais militares.
Ele afirma que até hoje, cerca 30% dos alunos são da polícia, dentre eles o major Júlio Richter, do 5º Batalhão da Polícia Militar. Na hora de entrar em confronto com bandidos é importante saber lutar com as mãos, por isso muitos optam pelo boxe. ''Aqui no nosso treinamento se trabalha desde a parte aeróbica até a parte tática e prática. Raramente as academias mandam o aluno correr, mas se entrar no treino do Miguel é a primeira coisa que vai mandar fazer'', aponta.
Outro aspecto fundamental do trabalho de Miguel de Oliveira é a filosofia da academia: luta só aqui dentro. Segundo César Oliveira, seu pai recriminava os alunos que se envolviam em brigas fora da academia. ''A proposta é fazer um treino sério e trabalhar com a parte prática. Não temos vergonha de falar que trabalhamos de maneira leve mesmo. A maior filosofia do Miguel é briga zero.''
Oliveira afirma que muitos apareceram para treinar apenas por curiosidade, mas no final acabaram virando lutadores. Ele frisa que os encontros aos sábados para subir no ringue e ''treinar as lutas na prática'' aguçava curiosidade entre os adeptos.
''Quando ele vem pela primeira vez e sobe com os mais experientes e deixamos o lutador a vontade, mais batendo que apanhando. Depois de observar que não acontece nada ele passa a frequentar os treinos de luta. É assim com 90% do pessoal, que afirma que não quer lutar. Depois da primeira vez todo mundo perde o medo'', conta.
Mas mesmo depois de familiarizados com as lutas, os boxeadores ainda enfrentam um obstáculo: o medo de perder, apanhar. O filho de Miguel de Oliveira deixa claro que um dos sistemas de trabalho do pai é ensinar que o mais importante não é bater, mas saber se defender. ''Ele sempre dizia que seus atletas podem não bater, mas também não vão apanhar''.


