O lado menos glamoroso do futebol europeu
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sábado, 07 de junho de 2008
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
A Romênia vem se transformando num caminho menos glamoroso para os boleiros brasileiros que sonham com a Europa. O destino, porém, não são times mais estruturados e badalados, como Steua ou Dínamo Bucareste. Mas sim times modestos da Primeira Divisão e, em sua maioria, da Segundona. O frio, a distância, o idioma, a cultura, nada é obstáculo para que busquem um futuro melhor no futebol tendo a Romênia como porta de entrada para o milionário futebol europeu.
O jovem londrinense Vinícius Fabrão, de apenas 19 anos, passou por duas situações distintas. No ano passado ele desembarcou no Milan, levado pelo ex-presidente do Londrina e atual diretor da Portuguesa, Dorival Pagani. Treinou por três meses em Millanelo, sentiu o gostinho de ver de perto, do campo ao lado, astros como Seedorf, Gattuso e Kaká. Porém, o sonho acabou rápido e foi para o outro lado do futebol europeu.
Foi jogar na Romênia, no Timisoata, da Segunda Divisão. Por lá, ficou três meses. Transferiu-se para o Ceahlaul, da Primeira Divisão, que já contava com o atacante brasileiro Roberto, aquele cuja história você já viu a história aqui no ''Mundo da Bola''.
O carioca Rodrigo Bimbão, 25 anos, é outro a tentar a sorte na Romênia. Depois de rodar pelo interior do Paraná, ele foi parar no Porto, de Portugal, só que no time B. Passou ainda pela China e pela Coréia do Sul, até desembarcar na Romênia para defender o CSM Ramnicu Valcea, da Segunda Divisão.
Os dois atacantes tiveram a mesma dificuldade: o idioma. ''Eu ficava que nem um bobo no vestiário sem entender o que eles falavam. Quando não dava no espanhol, ia para a mímica'', contou Fabrão. ''Só consegui me ambientar depois de uns três meses. Logo que cheguei, fomos num restaurante para jantarmos, e chegando lá, fui tomar uma Coca-Cola. Chamei o garçon e pedi uma Coca. Pronto, todo mundo caiu na risada e eu sem entender. Depois me explicaram que só pedem Cola. ''Eles pensaram que estava pedindo cocaína'', relembrou Bimbão.
O frio é o segundo adversário. Afinal, jogar debaixo de neve não é nada fácil. ''Foi difícil me adaptar. Fazia dez graus negativos. Colocava três blusas, três calças, toca, luva, faixa e nada de esquentar'', disse Fabrão.
A distância da família, dos amigos e do Brasil é a terceira barreira. ''Procuro amenizar a saudade lendo livros religiosos e mantendo o máximo de contato com minha noiva e minha família'', comentou Bimbão.
Somando os três elementos no período de adaptação, o resultado era a vontade de voltar para o Brasil. Porém, o retorno poderia significar um fracasso, o fim de um sonho e da possibilidade de dar uma vida melhor para a família. ''Às vezes ficava uma semana sem falar com a família. Pensei em desistir, mas tirava forças dos momentos difíceis que havia passado. O Roberto me ajudou muito nessa fase. Às vezes via aquele frio e falava para ele o que que nós estamos fazendo aqui?'', revelou Fabrão. ''Sempre passa pela cabeça de voltar para o Brasil, mas depois penso em tudo o que passei para chegar até aqui e logo supero esse momento'', concordou Bimbão.
Os dois estão de férias no Brasil. Fabrão tem contrato de quatro anos com o Ceahlaul. Já Bimbão volta para a Europa para buscar um novo contrato, já que o dele acabou este mês. Ele não sabe se fica no CSM Ramnicu Valcea ou se vai para o futebol ucraniano.


