Num esporte inundado por estrelas, Ayrton Senna era uma exceção. Não havia nenhum lugar do mundo que ele não fosse conhecido. A fama, nesse caso, se comparava a uma faca de dois gumes. Não era possível caminhar pelas ruas, nem mesmo ter a simples liberdade de ir a um restaurante sem ser abordado.
''Lembro que uma vez estávamos em Monza, na Itália, e o Ayrton já estava de saco cheio de comer comida de hotel. Ele estava com vontade comer pizza, e combinamos de ir a um restaurante fora da cidade. Descemos até a garagem do hotel, o Ayrton entrou e se escondeu dentro do carro, que na época me recordo muito bem que era um Escort. Na frente do hotel tinham fotógrafos do mundo todo. Quando chegamos no restaurante pedimos salada e pizza. Foi a conta de comermos a salada e já apareceu um paparazzi, aí virou uma bagunça, as pessoas vinham pedir autógrafo, tirar foto, já veio repórter de TV. Resumindo, ele levou a pizza e comeu no hotel'', conta Waldemir de Oliveira.
Do outro lado, ele também foi testemunha dos benefícios de ser uma celebridade. ''Era em Kuala Lumpur, na Malásia. Tínhamos que pernoitar lá, só que ele queria ir embora de qualquer jeito. Então o levei no aeroporto para pegar um voo comercial. Chegando lá estava tudo lotado devido a um evento que estava tendo na cidade. O funcionário do balcão disse que não tinha voo nenhum para a Inglaterra. De repente saiu um outro funcionário, viu o Ayrton e já foi pedir um autógrafo. Imediatamente o homem perguntou o que ele estava fazendo ali e ele, Ayrton, disse que precisava embarcar para a Europa só que não tinha lugar em nenhuma companhia. O funcionário pediu um minuto, entrou em uma sala e logo depois saiu e disse que havia um lugar na área executiva em um voo que sairia em trinta minutos. Lembro que ele olhou para mim e disse: 'esse é o lado bom da fama'''. (E.S.)

mockup