O lado B do esporte
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segunda-feira, 17 de junho de 2013
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Ela é campeã brasileira sub-18 e sub-20 de xadrez, já deu trabalho ao mito do esporte, o russo Garry Kasparov, e lançou livro ensinando os atalhos do tabuleiro. Atributos de sobra para credenciá-la a ter um bom patrocínio, que garanta a ela a tranquilidade para apenas jogar xadrez, sem se preocupar como pagar as despesas para competir. Mas não é o que acontece. A gaúcha radicada em Mogi das Cruzes (SP), Thauane de Medeiros, precisa se virar para se manter no esporte. Vende livros na rua e dá aulas de xadrez ao vivo e pela internet, mas ainda não é suficiente. Em julho, por exemplo, ela não vai participar do Campeonato Pan-Americano, na Colômbia, por falta de grana.
Quem passa pelo Museu de Arte de São Paulo (Masp) às quartas, sextas, sábados e domingos, entre as 9 e às 12 horas, encontra Thauane com exemplares do livro "Xadrez" em mãos e um sorriso no rosto. Ela vende a publicação de 57 páginas, com dicas de jogadas e ilustrações, a R$ 20. Ela mesma bancou a impressão do livro.
É com esse dinheiro que banca as inscrições e despesas com viagens para competir. "Tem torneios que você gasta mais do que a premiação. Tanto que eu vendo livros devido a dificuldade de ganhar dinheiro com os torneios. Patrocínio é algo que nem se fala no xadrez. Por ser um esporte sem mídia, os patrocinadores nem querem apoiar. Infelizmente, grandes talentos desistem por falta de ajuda", lamentou a enxadrista, que passou por Londrina na última semana.
Ela acredita que que se o xadrez entrasse na grade olímpica, o cenário poderia mudar no País. "As empresas não têm interesse por causa da questão de mídia. Então, como xadrez não está na Olimpíada, não tem mídia, não tem como divulgar (a marca), a não ser para os próprios jogadores em torneios. Então é difícil hoje você ser um profissional da área e ter que divulgar algo que quase ninguém vê", apontou.
Thauane nasceu em Santa Maria-RS, mas cresceu em Palhoça-SC. Foi lá que começou a jogar xadrez por influência do cunhado, aos oito anos. Dois anos depois, já ganhava torneios escolares. "Foi então que disputei um campeonato importante e conquistei o título de campeã estadual sub-10 e deu direito a ir para o Brasileiro sub-10 e acabei ficando em segundo lugar, porém com gosto de vitória, pois todas as meninas praticamente já treinavam com professores, e tinham mais apoio. Eu nunca havia treinado, apenas brincava", contou.
Foi o combustível que ela precisava para seguir carreira. Não parou mais. Foi acumulando títulos, competiu na Grécia, Paraguai, Colômbia, sempre sem apoio fixo, tudo na base do "paitrocínio" ou parcerias pontuais.
Aos 16 anos, trocou Palhoça por Mogi das Cruzes, onde se concentravam os principais torneios. Insistiu na busca por apoio e conseguiu ser incluída em um projeto do Sesi-SP. Foi lá que surgiu a oportunidade de enfrentar o mito do xadrez, o russo Garry Kasparov, em uma partida simultânea contra outras 20 crianças. "Foi emocionante! Imagina você deparar em frente ao ícone daquilo que você ama? Ainda mais para mim, que enfrentei ele e apertei a mão para iniciar o jogo. Será algo inesquecível. Aprendi. Perdi, mas ganhei ao mesmo tempo. Ganhei a experiência e a emoção de estar frente a frente com a fera!", descreveu.
Agora, ela quer dar o xeque-mate em outras concorrentes. Gremista fanática, Thauane se inscreveu para o concurso Musa do Brasileirão 2013, do Globo Esporte, representando o Tricolor Gaúcho.
"Me inscrevi mais pelo fanatismo do que por outra coisa. Sou super fanática pelo meu time, estou sempre apoiando e levando o clube no peito. Agora é difícil competir com as gurias que estão sempre fazendo academia, colocando silicone. Mas se for pensar em amar e apoiar, isso eu encaro qualquer uma e ainda mostro como sei jogar futebol", brincou a musa do xadrez, que ousou nas fotos para o concurso.


