O inimigo dorme ao lado
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sábado, 18 de fevereiro de 2006
Almir Leite<br> Agência Estado 
São Paulo - Ronaldinho Gaúcho é praticamente unanimidade quando o tema é o candidato a melhor jogador da Copa. Craques do passado e do presente, comentaristas, treinadores, quase todos apostam que o atacante será o maior nome do Mundial. A concorrência, no entanto, será grande. Várias outras estrelas têm tudo para brilhar na Alemanha, entre elas algumas que fazem companhia a Ronaldinho na seleção brasileira.
É o caso de Kaká. O meia-atacante está em excelente fase técnica, como comprovam suas atuações pelo Milan. Aos 24 anos, vai disputar sua segunda Copa na da Coréia do Sul e do Japão, em 2002, jogou 19 minutos e tem todas as condições para se sair muito bem. ''Kaká é muito completo: arma o jogo, ajuda na defesa, dá bons passes, finaliza bem as jogadas e chega ao gol. Tem um talento incrível'', analisa o técnico da seleção, Carlos Alberto Parreira.
Adriano, um atacante com marcante presença de área e que sabe fazer gols como poucos, também é forte candidato. Foi com gols, aliás, que se tornou o melhor jogador da última Copa das Confederações, ano passado, na Alemanha.
E Ronaldo! O Fenômeno (o craque de 2002) jamais pode ser descartado quando se trata de disputa para ser o melhor. Até porque vai à Alemanha com uma motivação extra: tirar de Gerd Muller o título de jogador que mais fez gols em Copas o alemão marcou 14 em duas edições e o brasileiro, que vai para o quarto Mundial, já soma 12. Ronaldo não deixa por menos: tem comentado com amigos que pretende fazer mais um Mundial inesquecível.
Vizinhos perigosos Alguns argentinos também são rivais de Ronaldinho. Riquelme, um meia que alia grande poder técnico com uma visão de jogo ímpar, parece maduro o suficiente para suportar a pressão de ser o comandante de uma seleção que tem a obrigação de apagar o vexame de 2002, quando não passou da primeira fase. O técnico José Pekerman já chegou, inclusive, a dizer que Riquelme será a tábua de salvação de sua equipe na Copa. ''Ele não vai falhar. No Boca (Juniors, onde o meia jogou), Riquelme sempre aparecia nas horas difíceis e no Mundial também o fará.''
Mas é em um habilidoso e veloz garoto de 18 anos que os ''hinchas'' argentinos mais confiam: Lionel Messi, companheiro de Ronaldinho no Barcelona, vai ser, no mínimo, a grande revelação da Copa. Não será surpresa se for bem mais do que isso.
Outro garoto com boas perspectivas de empolgar na Alemanha é o atrevido, encrenqueiro, mas também talentoso e eficiente Wayne Rooney, 20 anos, estrela da Inglaterra. Beckham e Michael Owen ainda são os ingleses mais badalados, mas Rooney encanta a cada partida que faz pela seleção. ''É o melhor jogador que surgiu na Inglaterra nos últimos 30 anos'', diz sobre ele sir Alex Ferguson, o respeitável técnico do Manchester United.
Outro astro inglês que merece atenção é Frank Lampard, meia do Chelsea que raramente é notado por uma jogada de efeito. Mas erra poucos passes, é objetivo, tem fôlego invejável e tornou-se o responsável pela estabilidade do english team.
Despedida do craque Lampard também tem classe, quesito no qual um francês, Zinedine Zidane, é imbatível. Dono de uma categoria que impressiona vive mostrando que o futebol é um jogo simples para quem tem habilidade e inteligência , Zidane, aos 33 anos, está na reta final da carreira. Provavelmente não repetirá 1998, quando foi o melhor da Copa do Mundo.
Já não tem a vitalidade de oito anos atrás (o futebol continua estupendo, como pôde constatar quem assistiu à vitória do Real sobre o Sevilla por 4 a 2, quando fez três gols e deu um show) e a atual seleção francesa não deve ter futebol para ir muito longe na Alemanha. E seleção que fica pelo caminho impede seu craque de ser o melhor de uma Copa. A honra quase sempre fica com um jogador de seleção finalista, de preferência da campeã.
A fraqueza da França também pode atrapalhar os planos de Thierry Henry de lutar para ser o nome do Mundial. Mesmo assim, o goleador merece respeito, embora pareça mais lógico suas chances maiores sejam de lutar pela artilharia se os ''Bleus'' não caírem muito cedo.
Este também é o drama de Shevchenko. Futebol para ser o craque de uma Copa ele tem, mas sua seleção, a Ucrânia, a rigor só tem ele. Não deve ir longe. Assim, Shevchenko deverá ser outro a contentar com a luta pela artilharia.
O italiano Luca Toni é outro candidato a goleador desandou a fazer gols no Calcio, tarefa não muito fácil num país cujos times privilegiam defesas fortes. O centroavante forte, ágil e quase perfeito nas bolas aéreas tem, porém, o direito de sonhar em ser o melhor da Copa. Afinal, a Azzurra tem sempre a perspectiva de ir longe em Mundiais. Pode até não ter um futebol vistoso, mas raramente carece de eficiência tática.
A Itália também tem o seu craque. É o meia Francesco Totti, habilidoso, inteligente, bom construtor de jogadas, excelente chutador. É considerado insubstituível pelo técnico Marcelo Lippi. ''Sem ele, teríamos de mudar nossa maneira de jogar''. Totti tem tudo para ser um dos grandes da Copa, desde que dome o seu gênio forte.
Anfitrião de classe Michael Ballack é a esperança da Alemanha, evidentemente uma das favoritas ao título, mais pelo fato de jogar em casa e pela tradição do que pela bola que tem jogado. Justamente por isso, a importância de Ballack, disparado o mais talentoso jogador dos anfitriões quase perfeito nos passes e cruzamentos e eficiente finalizador, com os dois pés , cresce. A responsabilidade do meia do Bayern de Munique também, até pela expectativa criada em relação a seu desempenho. ''Em nenhum país há um meio-campista mais perigoso ou tão eficaz quanto Ballack'', opina ninguém menos do que Franz Beckenbauer, presidente do Comitê Organizador da Copa da Alemanha.
Um quase anfitrião a Holanda é geograficamente vizinha da Alemanha também está na lista dos rivais de Ronaldinho Gaúcho. Ruud Van Nistelrooy, um ''homem com faro de gol'', tem a grande chance de confirmar sua condição de melhor jogador da experiente e forte seleção holandesa.


