Paranavaí - De fala mansa, compreensivo, exigente, didático, tranquilo, estudioso, estrategista. Esse é o técnico Amauri Knevitz, principal responsável por levar o Paranavaí novamente a uma decisão de Campeonato Paranaense. Um iluminado, que pegou o time sem badalação e, de forma bastante discreta, o colocou na decisão. O gaúcho de Porto Alegre é hoje uma unanimidade na região de Paranavaí.
Ex-zagueiro do Inter-RS e do Atlético-PR, o treinador de 48 anos chegou meio que por acaso ao Vermelhinho do Fim da Linha. Ivo Secchi era o treinador do time para o Estadual e já estava ajudando na montagem do elenco. Porém, uma proposta do Atlético tirou o treinador do time. Para seu lugar, o clube já havia firmado um acordo verbal com Lio Evaristo. No entanto, às vésperas da apresentação ele recebeu uma proposta do Roma Apucarana e pediu para pensar. Enquanto Lio pensava, Knevitz foi procurado e aceitou imediatamente o convite. ''Sempre acreditei nele, pois é um grande profissional'', classificou o diretor de futebol do ACP, Lourival Furquim.
Knevitz, campeão do Módulo Verde e Branco da Copa João Havelange em 2000, com o Malutrom (hoje J.Malucelli) estava meio ''encostado''. Em 2006 treinou o Porto Alegre, time do meia-atacante Ronaldinho Gaúcho e depois passou pelo Aymoré, ambos da Segundona gaúcha. No Paranavaí, voltou a ficar em evidência, como reconheceu o treinador, que já comandou o Inter-RS em 96 durante a troca de Pedro Rocha por Nelsinho Babtista no comando da equipe gaúcha.
Knevitz tem o grupo na mão. Todos gostam do estilo sereno do técnico, jogam por ele e não hesitam em apontá-lo como responsável pelo sucesso da equipe. ''O Amauri é muito inteligente, sabe se expressar tanto dentro como fora de campo. Aprendemos muito com ele a cada dia e contamos sempre com a ajuda dele, até quando somos expulsos'', descreveu o capitão Márcio.
''Eu diria que 80% da responsabilidade de chegarmos até aqui é do professor e da sua comissão técnica. Ele tem um esquema tático definido, não inventa, tem o grupo na mão, não xinga, não dá esporro, não fala palavrão. Todos sabem suas funções em campo'', complementou o meia Tales.
Modesto, Knevitz evita os holofotes e diz que não se sente responsável por nada. ''Faço apenas o que sempre quis ver nos meus treinadores. Por exemplo, todos entram em campo com funções definidas. Função é uma coisa, posição é outra. Isso é didático'', discursa o técnico.
Aos poucos, o treinador vai dando a receita do seu trabalho no time sensação do Paranaense. ''Segurança, calma, tranquilidade, disciplina e bom humor. Isso dá certo. Não tem desespero na beira do campo. Agora, existem regras a serem cumpridas e com isso sou exigente, chato'', apontou. ''Os jogadores aceitaram isso. Quando o assunto é físico, mando falar com o professor, quando é tático aí fala comigo e quando é técnico, aí é com os próprios jogadores''.
No confronto contra o time do ex-goleiro Zetti, bem mais famoso do que o ex-zagueiro, Knevitz mantém o discurso de humildade. ''O Zetti é muito mais experiente, tem muito o que ensinar'', elogiou o comandante do Vermelhinho, que foi campeão estadual em 85 com a camisa do Atlético-PR e enfrentou, durante o torneio, o Londrina que tinha como goleiro o atual técnico do Paraná.

Dúvidas - A final contra o Paraná Clube vai se aproximando e a dúvida continua. Quem será o companheiro de Tiago no ataque do Vermelhinho? Léo Santos é o favorito, porém Edson também tem chances. O técnico Amauri Knevitz deve cabar com o mistério sobre o substituto do artilheiro do time com 12 gols, Edenilson, somente na hora do jogo.

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