Um ano atrás, Edevaldo Ferreira era mais um das centenas de brasileiros que arrisca a vida no lombo de um touro. Simples, criado no sítio, ele mantinha uma vida tranquila, de quase anonimato. Porém, virou celebridade, ficou milionário e está prestes a bater um recorde no rodeio brasileiro: ser bicampeão do campeão brasileiro da Professional Bull Rider (PBR). E a conquista pode ficar mais perto em Londrina, como ocorreu no ano passado.
Em 2011, Edevaldo chegou à etapa londrinense na segunda posição. Teve uma boa participação aqui e assumiu a ponta, garantindo o título e o prêmio de R$ 1 milhão na final, em Cajamar-SP. "Ano passado, assumi a liderança aqui e fui para o título. Londrina me traz boas recordações e esta etapa vai ser um passo importante. Quantos mais pontos conquistar, melhor e, quem sabe, até posso sair com a vitória", disse.
Desta vez, ele não precisa ultrapassar ninguém, já que é o líder do campeonato. Porém, Eduardo Aparecido, vice no ano passado, não quer perder de novo. Magno Alves está na terceira posição.
Edevaldo é um dos símbolos do novo rodeio brasileiro, agora mais profissional. Claro que ainda existem as competições mais simples, com premiações baixas, mas o desenvolvimento do PBR trouxe uma oportunidade para os principais peões em permanecer no país e viver bem exclusivamente das montarias. Tanto que o próprio Edevaldo é um exemplo. O título nacional deu a ele a vaga na etapa americana, mas ele preferiu ficar no país e brigar pelo bi nacional e mais R$ 1 milhão.
"Aqui, é R$ 1 milhão para montar em casa. O campeonato vem se profissionalizando e vai melhorar muito, a ponto de recusar os Estados Unidos. Antes, muitos deixavam aqui para tentar os EUA por causa de dinheiro. Hoje, quem vai é só pelo nome mesmo", explicou Ferreira, que disputou apenas a final do Mundial em Las Vegas, na semana passada, e ficou na quarta colocação, feito que lhe rendeu mais US$ 70 mil no bolso.
No Campeonato Brasileiro, além do R$ 1 milhão para o campeão, há outro R$ 1 milhão distribuído entre as etapas. Assim, mesmo que o peão não fique com o título nacional, ele consegue acumular um bom dinheiro ao longo da temporada. "Tem peão que chega a faturar R$ 200 mil. Eu mesmo esse ano já ganhei mais de R$ 100 mil", contou.
Ferreira, natural de Andradina-SP, é o recordista em vitórias no PBR. Desde 2007, ele já venceu 17 etapas. Se confirmar o bicampeonato no final do mês, em Americana, será o primeiro no PBR a atingir o feito.
Aos 31 anos, ele já administra as conquistas pensando no final da carreira, que no caso dos peões acontece perto dos 40 anos. "Para quem veio da roça e se criou na fazenda, ganhar R$ 1 milhão em um ano é muito bom. Se tiver cabeça, souber investir, dá para levar uma vida boa", apontou.
Para garantir essa boa administração dos prêmios que consegue no lombo dos touros, ele conta com a ajuda da esposa. Ela controla com rigor seus horários de alimentação, sono, treinos e até entrevistas, além é claro, do assédio das "marias breteiras". "Meus horários são muito rigorosos e tenho que cumprir. Minha esposa é brava e controla tudo", brincou.
Para se manter no topo e faturar o bi, ele já tem a estratégia. São três etapas até o final da competição, contando Londrina. Portanto, terá 15 montarias pela frente. Quanto mais difícil o touro, maior a nota. "Na posição em que estou, é melhor pegar touro fraco. Se nenhum dos 15 touros me derrubar, ninguém me alcança e sou campeão", projetou.

Época de vacas magras
Uma das estrelas do rodeio brasileiro, Edevaldo Ferreira lembra da época em que o dinheiro era curto no sítio dos pais, em Andradina. "Uma vez, minha mãe me deu R$ 10 pra pôr diesel na camionete para ir montar em outra cidade. Era o dinheiro que eu tinha. Fui apostando que voltaria com algum dinheiro. Um dos juízes disse que fiquei os 8 segundos no touro, o outro disse que caí antes. Resumindo, voltei sem nada e perdi os R$ 10 que ela tinha me dado", rememorou, comparando com a atual realidade. "Hoje, venho de avião para competir. Como as coisas mudam!".

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