O Hino Nacional nos estádios: é preciso repensar
A execução do Hino deveria representar um momento de civilidade e reverência à nação
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de julho de 2025
A execução do Hino deveria representar um momento de civilidade e reverência à nação
Julio Oliveira 

Sou do tempo em que o Hino Nacional Brasileiro era cantado todas as segundas-feiras antes de entrar para a sala de aula. As turmas se postavam enfileiradas diante do pavilhão e entoavam, sem errar letra, de ponta a ponta. E mais: o Hino era estudado e entendia-se todo seu significado. Não era só cantar, era também entender. Canto e postura para reverenciar o momento cívico.
O respeito à pátria já começava com o uniforme escolar, que para aqueles que não estavam com o uniforme completo, ficavam de fora. Se era excesso de rigor ou não, não faz diferença. Havia regras e respeito. Havia reverência e orgulho a este símbolo brasileiro. E para cantar o Hino, postura ereta e mão direita no peito.
A obrigação de Hino Nacional em eventos esportivos internacionais tem sua relevância por ser confrontos entre nações, nas principais competições do mundo. É um país que entra em campo ou em quadra para enfrentar outro ou ainda um atleta “solitário” quando vai ao pódio.
Mas a mudança das últimas décadas de haver o Hino antes de jogos de futebol de campeonatos regionais e nacionais virou excesso. E não é porque foi determinado, que não pode ser retirado. E onde se obriga o hino estadual, então? Ninguém sabe. Torcidas organizadas entoam seus cânticos, alguns vaiam o time visitante, outros estão comendo e a maioria não canta. E tem quem nem se levanta.
A execução do Hino deveria representar um momento de civilidade e reverência à nação, um momento de demonstrar o amor à pátria. Um momento único. Se o objetivo não está sendo alcançado, há um desrespeito à bandeira e ao país. Então, é preciso ser revisto. Não tem problema mudar. Só não pode o Hino brasileiro ser entoado pela metade, com palavras erradas e sem respeito.
Obrigação só é cumprida com envolvimento ou punição. No tempo de escola, a opção era cantar ou cantar. O público nos estádios hoje não canta e filma o momento em que todos estão também filmando os poucos que estão respeitando, e despejam em redes sociais o desserviço cívico coletivo. Com inúmeros campeonatos e jogos todos os dias, também todos os dias vemos a inutilidade da execução do Hino do Brasil. Ao final há aplausos e alvoroço, não por sua execução, mas porque a bola vai rolar.


