O garimpador de talentos
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de julho de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Hilton Santos Júnior - o Júnior Negão - é um dos jogadores de beach soccer que mais se destacou como atleta defendendo a seleção brasileira. O atleta já disputou mais de 300 jogos oficiais e atualmente empresta o currículo aos apaixonados pelo futebol de areia que trabalham pela difusão da prática no Brasil. O primordial é criar campeonatos regionais em todos os Estados para que sirvam como mola propulsora para formação de categorias de base e escolinhas para, no futuro, revelar talentos.
Também autor de 316 gols pela seleção brasileira, Júnior Negão revela em entrevista exclusiva à FOLHA que está estudando um projeto para abrir uma escolinha de futebol de areia em Londrina, que seria coordenada pela diretoria da regional-norte da Federação Paranaense de Beach Soccer, sob responsabilidade de Carlos Alberto Pizzol, o Bebeto. Júnior Negão acredita que a partir de agora o trabalho é abrir novas portas, como uma maneira de retribuir ajudando a revelar novos jogadores.
Como você enxerga o futuro do beach soccer?
Nós temos que trabalhar para produzir campeonatos e uma boa maneira de começar é pelos estaduais. Fazer a galera jogar beach soccer, porque é um esporte sensacional, mas que poucos praticam. Precisa ser para muitos jogarem e isso é possível incentivando a criançada. Nossa meta maior é essa e só assim para se criar novos ídolos. Por isso, temos que organizar campeonatos para o negócio crescer.
Por isso escolheram Londrina para fazer um torneio de beach soccer?
A cidade tem tudo para fazer um belo evento. Como o clima aqui não é tão frio em algumas estações e até lembra praia, lá no aterro (do Lago Igapó) parece ser um espaço espetacular, que dá para servir como sede de um grande campeonato. Quem sabe aqui não surja um grande craque do beach soccer? Dos oito times que vão jogar é possível que algum atleta alcance renome nacional e se torne um grande craque.
Como foi atuar ao lado de grandes jogadores como Júnior e Zico?
Muito legal. O beach soccer começou ao contrário, pelos grandes jogadores como Zico, Júnior, Cláudio Adão, Jairzinho - que é da década de 70 - Pedrinho, Romário e Edmundo. A presença deles só veio abrilhantar o esporte, além de trabalhar com a missão de fincar o gosto entre o grande público. O negócio extrapolou o mundo todo e ultrapassou o reconhecimento nacional nos pés deles. A partir de agora temos que produzir mais jogos na praia, campeonatos e ídolos. É importante trabalhar para fazer eventos e, por mais que pareça brincadeira, não temos um campeonato estadual no Rio. É fundamental existir um circuito nacional como, por exemplo, o vôlei de praia. Tem também um nacional de clubes que é necessário, onde vão se encontrar times como o Atlético Paranaense, o Londrina, o Flamengo, o Vasco, o Botafogo. Isso é o mais importante.
O que mais você aprendeu jogando com estes craques?
Foi mais sobre personalidade. Talvez pelo fato de todos serem craques, jogadores geniais. A postura deles é séria, correta e acho que isto fez o beach soccer crescer. Tenho que destacar o Júnior, que coroou o esporte pela sua postura que fez todo mundo se apaixonar pelo beach soccer. Ele já era um ídolo que tinha jogado três Copas do Mundo, ao lado do Zico que também defendeu a seleção, e sempre vi a postura deles como de pessoas humildes, que jogavam na praia querendo ser campeões, querendo ganhar e com a mesma seriedade que atuavam no campo. Como já tinham parado de jogar, não tinha a necessidade de ganhar, de querer vencer e foi o espírito deles o fator mais importante para o beach soccer.
Quanto tempo vai demorar para o Brasil ter uma categoria de base com campeonatos consolidados?
Espero viver o suficiente para ver isto acontecer. O beach soccer tem 16 anos de vida e é um esporte novo, recente e espero que cresça ainda mais. Acredito que se produzir eventos para crianças, elas passarão a vislumbrar que podem participar de um esporte com campeonatos. Por isso temos que fazer eventos estaduais. Outra grande chance é consolidar o beach soccer de fato nos Jogos Olímpicos caso venham para o Rio de Janeiro. Isso é extremamente importante porque não existe nenhum país melhor que o Brasil no beach soccer. Estamos sempre entre os três primeiros e o Brasil é carente de modalidades com condições reais de levar medalha de ouro em Olimpíadas.
Quando será a próxima Copa do Mundo de beach soccer?
Será em Dubai (nos Emirados Árabes), em novembro deste ano. Depois, o torneio será de dois em dois anos, mas eu acho que o Brasil ainda é o grande favorito. Tem os melhores jogadores do mundo, o Buru e o Benjamim que são ótimos jogadores. Tem também uma base representada pelo Bueno, Sidney, Betinho e Daniel. Por isso, acho que o Brasil tem condições de vencer. Mas o importante é começar a pensar nos sucessores, porque este time já tem idade avançada e não dá para prever como será daqui a dois anos. É aí que reside a importância de se realizar este trabalho com campeonatos estaduais, para descobrir novos jogadores também para a seleção brasileira.
Para você, o que é o beach soccer?
Faz parte da minha vida. Trabalho com beach soccer todos os dias e tenho uma escolinha na Bahia, uma no Rio e vamos abrir outra em Florianópolis. É importante dizer que estamos estudando um convite de abrir uma escolinha de beach soccer em Londrina. Hoje estou aqui por tudo que o esporte fez por mim. Me proporcionou um campo grande de vida, de trabalho com a perspectiva de abrir várias portas. A maneira que eu encontro de retribuir é poder ajudar. Revelar alguns jogadores e fazer campeonatos, como o Paranaense. Tem tudo para dar certo porque existem grandes possibilidades de se encontrar atletas de qualidade. Essa é nossa esperança, de ver o beach soccer crescer.ááááááááááááááááááááá


