Quem vê o caos da atual conjuntura do futebol maringaense nem pode imaginar as glórias que a ''Cidade Canção'', já teve neste esporte. Títulos, vitórias expressivas e o prestígio estadual e nacional. Palavras que fazem parte do passado do Grêmio Maringá. Hoje, apesar da vaga na Série C do Campeonato Brasileiro, com estréia prevista para quarta-feira, em Irati, contra o Iraty, o fracasso é a marca do clube. Prova disso é a situação do presidente, Aurélio Almeida, preso acusado de estelionato.
Fundado em 7 de julho de 1961 com o nome de Grêmio Esportivo Maringá, o Galo do Norte já começou grande e chegou à quatro finais do Paranaense na década de 60, período mais glorioso do clube. Conta a história que o galo foi adotado como mascote porque na época havia muitas brigas de galo, simbolizando que o time era brigador. Mais tarde o apelido passou a ser de Galo Guerreiro.
Com apenas dois anos de existência, o time alvinegro conquistou seu primeiro título estadual em 1963, batendo o Ferroviário, de Curitiba. No ano seguinte, o time repetiu a façanha e tornou-se bicampeão paranaense, derrotando o Seleto, de Paranaguá.
Um fato curioso marcou essa decisão, lembra o torcedor fanático Ortílio Carlos Vieira, 40 anos, o Tilinho, que apesar de não ter assistido ao jogo conhece cada detalhe da partida e da história do Grêmio. ''O primeiro jogo terminou 2 a 2 em Paranaguá e um repórter perguntou ao Roderley (capitão do Grêmio) se a equipe tinha time para ganhar do Seleto em Maringá. Ele respondeu que tinha time até para sentar em cima da bola. Chegou o dia do jogo, o Grêmio estava ganhando por 2 a 0 e os jogadores começaram a sentar na bola como o Roderley tinha prometido'', se diverte Tilinho.
História para contar é o que não falta ao torcedor. ''Em 1964 o Santos veio jogar um amistoso aqui. O Pelé estava com a clavícula machucada e só jogaria com a condição que ninguém encostasse nele. O Grêmio fez 1 a 0 e a torcida começou a gritar: 'Cadê o Pelé?'. O jogo terminou 11 a 1 para o Santos e Pelé só não fez chover'', recorda Tilinho, que aos 12 anos matava as aulas para assitir os treinos do Galo.
Para 1965, o time bicampeão foi mantido. Mas o time não conseguiu o tri, sendo sucumbido na final pelo Ferroviário, numa repetição da decisão de 63.
Dois anos depois a história se repetiu. Em 67, o Galo chegou a outra final e perdeu para o Água Verde, também da capital. Na mesma década, o Grêmio alcançou proezas internacionais vencendo as seleções da Romênia e da União Soviética e, em 69, disputou a preliminar de Brasil e Venezuela, no Maracanã, em jogo válido pelas Eliminatórias da Copa de 1970, perdendo para o Nacional-AM por 1 a 0.
Em 72, o time encerrou suas atividades por problemas financeiros e divergências políticas. Em 74, o Grêmio ressuscitou e disputou todo o Campeonato Paranaense jogando em Marialva, porque o Estádio Willie Davids, com capacidade para 23 mil pessoas, estava fechado para reformas.
Dois anos depois, o Galo do Norte teve o artilheiro do Paranaense, Paquito, com 25 gols, magoado até hoje com a falta de reconhecimento da diretoria do Grêmio. ''Mesmo sendo artilheiro não renovaram meu contrato. Fiquei triste por ter sido jogado para escanteio'', revela Paquito. Em 77, o time foi campeão estadual, superando o todo-poderoso Coritiba na final.
Durante os três anos seguintes, o Grêmio disputou a primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Em 78, perdeu a chance de avançar à fase seguinte. Foi derrotado pelo Flamengo em um jogo realizado no Willie Davids. O time carioca venceu por 1 a 0, gol de Vanderlei Luxemburgo. ''Foi o único gol que ele marcou na carreira'', brinca o ex-presidente Elnio Pohlmann, o Apucarana, que dedicou boa parte da vida ao futebol. ''Dava para ganhar. Nosso time não tinha medo de ninguém. A gente ia lá no Rio ou em São Paulo e jogava de igual para igual'', completa o centroavante Itamar Bellasalma.
Em 81, o Galo chegou novamente às finais do Campeonato Paranaense, mas perdeu o título para o seu maior rival, o Londrina, no tradicional Clássico do Café. Já em 96, o time viveu um dos piores momentos: foi rebaixado para a Segundona e ficou por lá até 2001, quando foi campeão invicto da Série A-1.
Pohlmann aponta a política como principal culpada das várias crises que resultavam no encerramento e depois retorno do Grêmio. ''É muita politicagem. Cada vez que se trocava o prefeito ou o time acabava ou entrava em crise. Acabaram com as tradições e com o futebol de Maringá'', acusa.

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