Duas construções, duas filosofias que podem mudar a história do esporte no Paraná. Falo da Universidade do Esporte e da Arena do Atlético. Talvez sejam esses os dois mais importantes acontecimentos do esporte no Estado nos últimos e nos próximos anos. As duas obras não se prendem ao passado, mas apontam para o futuro.
A Arena da Baixada promete ser um dos mais modernos e confortáveis estádios da América do Sul. Por enquanto, e mesmo depois da inauguração, marcada para o dia 24, estará apenas na promessa. É preciso esperar que a Arena fique completa. Mesmo incompleta, já será de longe o melhor estádio do Paraná.
A filosofia da nova Baixada não é a dos antigos estádios e por isso - e não por vaidade ou empáfia - recebe o nome de Arena. A inspiração veio dos estádios multiuso americanos e europeus. Não fechará nunca, pois abrigará um shopping center, bares e restaurantes. Além disso, já preparou toda a infra-estrutura para receber grandes espetáculos artísticos e esportivos.
O projeto do Atlético, se acompanhado de outras ações de marketing - e marketing não é só venda, mas planejamento para satisfazer os desejos dos clientes atuais e atrair novos clientes - fará da Arena um empreendimento lucrativo.
Daqui para a frente, nenhum outro clube do Brasil poderá pensar em reformar ou construir um estádio sem levar em conta o que representa a Arena do Atlético.
Outro avanço é a Universidade do Esporte, projetada pelo governador Jaime Lerner e executada pelo presidente da Fundepar, Segismundo Morgenstern. Local para convenções, salas de aula, biblioteca especializada em esporte, centro de medicina esportiva e fisioterapia, dois ginásios de esportes, quadras de tênis e piscinas fazem parte do câmpus da Universidade.
Na aula inaugural, realizada no ano passado, o jornalista Armando Nogueira apontou o local como um marco para a formação de pessoas que encarem o esporte com um enfoque profissional, mas preservando o seu caráter lúdico e amador - no sentido de amante. Com cursos de pós-graduação em Administração Esportiva - em parceria com o ISAE-FGV - e curso técnico de administrador esportivo, a UE começa a cumprir a profecia de Nogueira.
Segismundo Morgenstern agora preocupa-se em preservar a Universidade independente do governo estadual. Assim, ela não correrá o risco de mudar de filosofia ou mesmo de desaparecer dependendo do humor do governante de plantão. Para isso, batalha a ampliação de parcerias com empresas privadas que possam sustentá-la. Qualquer empresa deveria sentir-se honrada em ser parceira deste empreendimento.
As semifinais
Antes mesmo de começar o Campeonato Paranaense, qualquer pessoa que entendesse um pouco de futebol poderia prever o que só se conheceu oficialmente ontem: os quatro clubes que chegariam às semifinais. Prova que o campeonato está completamente previsível e que a Federação não consegue promover um torneio equilibrado. O domínio dos clubes da capital é total. Essa disparidade faz com que o campeonato não seja rentável nem mesmo para os clubes do interior. Para os da capital, só não foi um semestre jogado fora porque participaram da Copa Sul e a Copa do Brasil. Só a partir das semifinais, a disputa fica mais equilibrada no Paranaense e não se pode dizer quem será o campeão.

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