A discussão da semana, para quem acompanha o futebol mundial, é a incrível venda do clube Manchester United, da Inglaterra, por US$ 1 bilhão, para o bilionário australiano Rupert Murdoch, dono de um império de comunicação. Mal comparando, seria como se o Flamengo, ou o Corinthians, fosse vendido para o Roberto Marinho, dono da Globo. Quer dizer, o clube não é mais dos torcedores, mas do empresário, dono da maioria das ações. Se ele cansar desta brincadeira, ou tiver motivos financeiros, pode simplesmente fechar ou se desfazer dele, vendendo, alugando ou emprestando.
Essa é a nova realidade do futebol mundial que, mais cedo ou mais tarde, vai chegar ao Brasil. É a globalização neoliberal, movida a interesses financeiros, que não passa a bola para as questões sociais, mesmo no esporte.
Quando o futebol passou do amadorismo para o profissionalismo, muitos jogadores e torcedores derramaram lágrimas. Eles acreditavam que a verdade do esporte estava na disposição da pessoa praticá-lo por amor, sem receber nada por isso. O dinheiro corromperia o caráter hedonista do futebol, de puro prazer para quem pratica e para quem assiste.
Em parte eles tinham razão. Os cartolas assumiram posições privilegiadas, aproveitando-se do prestígio e do dinheiro dos clubes para fins pessoais. Esses cartolas quase mataram o futebol, tirando-lhe a credibilidade e, em consequência, derrubando as rendas, afastando patrocinadores e fazendo o dinheiro minguar.
Um novo profissionalismo se apresenta como solução. Em que os cartolas não vão mais poder trabalhar em causa própria pois seriam contratados e pagos por um clube-empresa, da qual a torcida é parte integrante. Mas há o perigo de se desviar esse objetivo com essa visão xiita, selvagem e neoliberal de magnatas - os novos cartolas usurpadores - entrarem no futebol apenas para sugar o que lhe resta de emoção, prazer, paixão e, é claro, dinheiro.
Pobre do torcedor que ficou entre o tridente e a caldeirinha. O esporte é a mais pura linguagem do ser humano. É a linguagem do corpo, que não sabe mentir. É um balé disputado por duas companhias ao mesmo tempo. Prazer e competição. Amor e guerra. É puro sentimento.
É evidente que a direção do futebol no Brasil não pode continuar no rumo em que está. É preciso profissionalizar e entrar no mercado, mas visando sempre o objetivo duplo que conjugue a paixão e a competência, a emoção e o lucro.
Os tubarões e o Londrina

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