O frio finlandês, enfim, explode de felicidade
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segunda-feira, 02 de novembro de 1998
Agência Estado 
Ron Dennis, um dos sócios da McLaren, foi quem avisou Mika Hakkinen, pelo rádio, de que Michael Schumacher havia abandonado o GP do Japão, na 31ª volta da corrida. Eu não acreditei, comecei a cantar enquanto dirigia, disse o finlandês, após conquistar o primeiro título mundial da sua carreira. Ron interveio de novo no rádio dando-me uma bronca, ao ordenar que me concentrasse na prova, explicou o piloto. Eddie Irvine, da Ferrari, terminou em segundo e David Coulthard completou a festa da McLaren no pódio.
Deslumbrado com o título, Hakkinen iniciou uma corrida a pé depois de sair do carro, na área de box. Pensei em percorrer todo o circuito, mas mudei de idéia para não chatear Bernie Ecclestone, disse. Os três primeiros colocados em cada GP devem se dirigir ao pódio tão logo estacionem os carros por causa das transmissões de TV ao vivo.
As emoções que Hakkinen escondeu até a largada eclodiram naquele momento. Eu estava muito nervoso antes da corrida, tentava não pensar nas coisas ruins mas elas insistiam em vir à minha mente. Seu estado emocional era tão desfavorável, contou, que na primeira largada não estava concentrado. O início da competição nem foi autorizado, porque acendeu o farol amarelo, e eu já comecei a soltar o carro. Por duas vezes a largada foi retardada. A primeira em razão de o motor de Jarno Trulli, da Prost, ter apagado no grid e, depois, por Schumacher ter deixado o carro morrer.
A equipe informou Hakkinen de que o piloto alemão da Ferrari largaria em último. Eu não havia relacionado ainda as coisas, comentou, rindo. Está feito, fantástico, pensei, mas depois vi a Ferrari do Eddie Irvine e aquela pressão toda tomou conta de mim novamente. Keke Rosberg, piloto finlandês campeão do mundo de 1982, é empresário de Hakkinen há 11 anos. Sempre fico tranquilo dentro do carro e o Keke muito nervoso, hoje (ontem) aconteceu o contrário, eu é que não me controlava, explicou Hakkinen.
Ao se expressar em finlandês, dirigindo o olhar para a câmara de TV, Hakkinen causou gargalhada nos jornalistas de seu país. Ele não consegue falar coisa com coisa, disseram eles. Depois mandou um recado para a família. Alô papai, mamãe, vocês podem agora tomar um café e voltar para a cama. Seus pais acompanharam o GP do Japão pela televisão. Em Helsinki, onde residem, passava das sete horas da manhã.
Vencer o campeonato e ver sua equipe conquistar o Mundial foram emoções fortes demais para Hakkinen. Eu me lembro de quando acabei em terceiro o GP do Japão de 1996 e o Damon Hill foi campeão, contou. Estava sentado ao seu lado, neste mesmo lugar, e achei estranho ele comentar não conseguir dizer nada. Depois concluiu: Agora sei bem o que ele estava sentindo. Há um produto que patrocina a McLaren e que deverá ajudá-lo a compreender bem seu momento, mas para isso deve ser consumido numa dosagem acima da indicada: Warsteiner, marca de uma cerveja alemã. A receita é do próprio piloto.
Hakkinen não é apenas um ídolo na Finlândia. As manifestações de fidelidade a sua causa são tamanhas que conferem-lhe o contorno de herói nacional. Os cinco milhões de finlandeses terão de esperar, no entanto, por um bom tempo até ver de perto seu herói. Hakkinen comentou ter muitos compromissos já agendados com os patrocinadores da McLaren durante este mês, em que os testes são proibidos.
A partir do início de dezembro, com a liberação dos treinos livres, a McLaren testará quase diariamente os componentes do modelo da próxima temporada. É por esse motivo que Hakkinen desembarcará em Helsinki apenas antes do Natal, segundo sua assessoria.


