O frango do juiz
Héber Roberto Lopes não é atacante, zagueiro ou goleiro. Não vestiu a camisa do Coritiba ou do Paranavaí, mas foi o nome do jogo na decisão do Campeonato Paranaense de 2003. Não que ele tenha decidido a partida no apitaço, longe disso. O Paranavaí entrou em campo tão satisfeito com o vice-campeonato que não fez qualquer esforço mais incisivo para por as mãos na taça maior.
Mas o pênalti que o árbitro marcou favorável ao Coxa, aos 21 minutos do primeiro tempo, quando o lateral Maurício dominou a bola na perna dentro da área, foi surreal. A bola pode até ter batido na mão do defensor, o que depois de ter visto a jogada várias vezes pela TV, não percebi. Mas, mesmo que tivesse resvalado na mão do atleta, ficou evidente que não havia qualquer intenção do atleta em tocá-la. Para piorar, a bola não ia em direção ao gol. Ainda assim, Héber marcou pênalti.
Héber entrou para a história do Campeonato Paranaense. Não há boteco no Paraná em que o nome dele deixou de ser citado no final de semana. Mas vida de árbitro é assim, parecida com a de goleiro. Não adianta defender os chutes mais perigosos e depois tomar um frango. O goleiro sempre será lembrado pelo galináceo que escapou-lhe das mãos. Não adianta apitar com correção todas as jogadas. Um segundo de distração e o esforço vai por água abaixo. Héber foi o nome do jogo. Nem o atacante Marcelo, que bateu o pênalti e abriu o placar será tão lembrado quanto ele. O pênalti contra o Paranavaí foi o frango do árbitro.
- Pela campanha que fez o Paranavaí durante toda a competição, a torcida do time deve ter ficado insatisfeita. Não pelo fato do Paranavaí ter perdido a final, mas pela acomodação, pela falta de garra para buscar a vitória. Os jogadores pareciam estar satisfeitos com o vice. Não deveriam. Poderiam ter saído do Couto Pereira com o título.
- O título acabou ficando com quem merecia. O Coritiba terminou invicto e pode orgulhar-se.
- São-paulino que assiste muitas mesas redondas, lê cronistas esportivos e ouve as ladainhas nas rádios deve estar se sentindo enganado. O motivo é simples. Durante toda a semana diziam que o São Paulo tinha a vantagem de jogar por dois resultados iguais. Ora, foi isso que aconteceu. Os dois jogos tiveram resultados idênticos: 3 a 2 para o Corinthians. Portanto, segundo a lógica da crônica, o São Paulo é o campeão. E não se fala mais nisso. Quem quiser reclamar que vá ao Procon.
- Apesar da mágoa dos são-paulinos que não aguentam mais tomar piaba corintiana, o título paulista está em boas mãos. O Corinthians é uma equipe mais acertada, com mais gana em decisões. Foi o diferencial. É duro admitir, mas a faixa de campeão está em boas mãos.





