O FIM DE UM SONHO - Sem patrocínio, carreira de atletas emperra
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sábado, 29 de maio de 2004
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Glamour, fama, dinheiro, títulos, consagração. Estes termos fazem parte do vocabulário de apenas uma minoria dos milhares de atletas brasileiros, que suam a camisa diariamente em busca de um sonho: chegar ao topo do esporte que pratica. Não por falta de competência, mas por falta de apoio, principalmente o financeiro. A atividade esportiva de alto nível demanda muitos recursos e uma atenção especial com os atletas, como alimentação correta e condições para treinamento. O esporte brasileiro está conseguindo melhorar os resultados a cada ano, mas o investimento nos atletas e nas equipes não segue o mesmo ritmo.
A história não é diferente em Londrina. A cidade já provou que é um celeiro de grandes atletas. Muitos dos esportistas consagrados são ''pé-vermelhos'', como os nadadores Rogério Romero e Diogo Yabe, o atacante Élber, do Lyon da França, as jogadoras de vôlei Veridiana, Keka e Elisângela, a seleção brasileira de ginástica rítmica e muitos outros.
E, assim como num processo industrial, a cada ano brotam novos talentos que podem transformar a cidade numa potência esportiva e ajudar o País a se tornar uma grande força olímpica. Mas nem isso é suficiente para motivar o investimento na área, que corre no sentido contrário.
O desinteresse da maioria das empresas fica evidente a cada visita de atletas ou equipes em busca de apoio financeiro. Nem mesmo o status de terceira maior cidade do Sul do Brasil, atrás de Porto Alegre e Curitiba, respectivamente, empurra os investimentos.
De acordo com dados do IBGE, são cerca de 450 mil habitantes em Londrina, que somados às cidades da Região Metropolitana, chegam aos 670 mil. Uma cidade deste porte só poderia ter uma grande área industrial. E tem. São quase 3,5 mil indústrias, segundo dados oficiais, e mais de 14 mil pontos comerciais, mas o investimento no esporte é muito baixo em relação ao montante de empresas.
Essa falta de apoio e reconhecimento faz com que as grandes revelações migrem para outros centros onde encontrarão o que não receberam em Londrina. Exemplos disso não faltam. Um dos mais recentes é o do nadador Diogo Yabe, 23 anos. São José dos Campos, cidade do Vale do Paraíba em São Paulo, é quem colhe os frutos do investimento no atleta londrinense, que está garantido na Olimpíada de Atenas nos 200 metros medley.
Yabe começou na Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel), que, por dificuldades financeiras, desativou a equipe. Ele passou a nadar no Canadá Country Club e iria desistir quando foi contratado pelo Vasco da Gama. Hoje, Yabe treina e estuda nos Estados Unidos e compete no Brasil por São José dos Campos. ''Ele não tinha incentivo nenhum em Londrina. Tínhamos que vender pizzas para bancar as despesas'', contou a mãe do nadador, Euci Yabe, que vendeu um carro para pagar as despesas do filho.
Quem está no mesmo caminho é a taekwondista Mariana Kaminagakura, 17 anos. O vice-campeonato Pan-Americano e os títulos brasileiros das categorias juvenil e adulto não foram suficientes para despertar o interesse de empresas de Londrina. Mas ela não ficou desamparada. A Prefeitura de São Caetano do Sul decidiu apostar nela. A cidade do ABC Paulista arca com todas as despesas da lutadora e ainda paga um sálario para ela. ''Não é alto, mas ajuda'', comentou Mariana. ''O taekwondo não tem tanta tradição como o futebol, mas, se tivéssemos salário e incentivos, poderíamos render mais e o Brasil teria mais medalhas olímpicas''.


