O filho do Japonês Voador
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domingo, 20 de janeiro de 2013
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Eduardo Saçaki é um dos maiores nomes da história do motocross brasileiro. Seis vezes campeão nacional e dono de outros inúmeros títulos pelo Brasil e o mundo, o motociclista gravou seu nome na história do esporte brasileiro. As manobras e o carisma do "Japonês Voador", apelido que ganhou dos fãs, encantavam o público e ajudaram a impulsionar o crescimento do esporte no país.
Inspirados em Saçaki, milhares de jovens brasileiros tentaram e ainda tentam a sorte no motocross. Um deles foi o próprio filho do "Japonês Voador", Paulinho, que incentivado pelo pai começou a fazer suas primeiras manobras a bordo de uma moto ainda aos 4 anos. Tratado como nova promessa da modalidade, o garoto ainda tentava decolar sua carreira quando o acidente que quase tirou a vida de seu pai, em 2005, acabou mudando sua trajetória.
"Quando comecei a levar a sério, meu pai se acidentou, ficou aquele receio em toda a família e ele mesmo me pediu para dar uma segurada", relembra Paulinho. No acidente, que aconteceu durante um treino em Carlos Barbosa (RS), em maio em 2005, Saçaki teve uma forte hemorragia interna, baço e um rim retirados e ainda sofreu um traumatismo craniano. Em coma, foi dado como morto pelos médicos, mas se recuperou e sete meses depois tentou voltar, mas logo deixou a ideia de lado, fato que se repetiu ainda em 2009 e 2012.
Hoje, aos 43 anos, ele vive em Cascavel (Oeste) e trabalha no ramo imobiliário. Moto só por hobby mesmo, segundo o filho. Enquanto isso, em Apucarana (Norte), Paulinho (Open Bike Shop/Oakley/ABS Sports), agora aos 24 anos, segue lutando para repetir os feitos do pai, mas em outra modalidade: o BMX.
Profissionalizado desde 2006, o biker já é um atleta reconhecido. Depois de morar uma temporada na Itália, onde faturou dois campeonatos, e disputar o Mundial de Colônia, na Alemanha, ele voltou ao Brasil e vem conquistando bons resultados. O sobrenome que ele carrega também ajuda, é claro. "Influencia e ajuda muito. Nas provas que vou sempre tem gente que lembra de mim por causa dele e começa a contar histórias e isso é muito legal", conta.
Mas apesar da ligação, o jovem de personalidade forte não pensa em viver apenas do sobrenome. "Fora da pista claro que abre muitas portas, mas quero fazer minha história e ser reconhecido pelo que faço", comenta.
E neste longo caminho que ele tem pela frente, 2013 se desenha como um ano fundamental. "Esse ano vou ter a oportunidade de andar fora (do Brasil), estrutura para treinar e patrocinadores, vou viver só do esporte. É um ano de afirmação para mim", ressalta o competidor, que treina numa pista em Apucarana, onde mora com o irmão e mãe.
A primeira competição de Paulinho em 2013 é o Red Dragon BMX Park, que reúne dezenas de bikers do Brasil todo em Itajaí (SC), neste final de semana, e servirá de preparação para seus principais desafios do ano, o Mundial da Estônia, em março, e o X-Games, que acontece em Foz do Iguaçu, em abril.
"Vamos tentar prestigiar o maior número de eventos esse ano, especialmente neste primeiro trimestre, já que estamos bastante focados na preparação para o X-Games", falou o filho do "Japonês Voador", que foi um dos cinco brasileiros convidados para o evento na fronteira. "É uma competição que é o sonho de qualquer um. Comecei a andar vendo os caras no X-Games no Estados Unidos, e hoje ter a chance de andar com os bikers que só via pela TV, não tem nem como descrever", define.
No segundo semestre, Paulinho ainda vai competir no Mundial da Alemanha, em julho, e no Pró-Rad, que deve acontecer em setembro.


