O exigente Leão quer surpreender Palmeiras
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quarta-feira, 02 de junho de 1999
Por José Rodrigues 
Santos, 3 (ae) - O clássico deste sábado, entre Santos e Palmeiras, terá um atrativo a mais: o duelo entre dois treinadores considerados autoritários, que sempre exigem o máximo de suas equipes. E Leão está preparando o Santos em Jarinu para reverter a vantagem que o adversário tem de jogar por dois empates. Com uma vitória, os santistas podem empatar o jogo de volta que garantem a vaga para a final do Paulistas.
Leão acha normal os dois times estarem sempre na disputa de títulos e atribui isso à longa permanência deles no comando das equipes. "Nós estamos vendo que todas as equipes que mantêm seus técnicos durante muito tempo conseguem sempre disputar uma semifinal ou final de campeonato e isso é uma verdade". Segundo o treinador santista, isso ocorre porque há tempo para trabalhar e os times estão sempre prontos para decidir.
Felipão chegou ao Palmeiras em 97 e Leão foi contratado pelos santistas em janeiro de 98. Cada um com seu estilo, os dois se parecem muito quando buscam o mesmo objetivo, que é vencer sempre. Leão não demorou muito para introduzir seus esquema de trabalho no Santos. Liberou rapidamente a extensa comissão técnica montada por Luxemburgo, seu antecessor, e passou a ocupar todos os espaços disponíveis, nem que para isso tivesse que se chocar com dirigentes, profissionais de apoio e atletas. Nenhum detalhe passa despercebido pelo treinador.
Ele dá entrevistas - sempre coletivas - observando tudo que se passa à sua volta, das brincadeiras dos jogadores até o acesso de pessoas no Centro de Treinamento Rei Pelé. Nesta semana, ele chegou a ficar perturbado com a entrada do ex-árbitro Olten Ayres de Abreu no CT, presidente do Sindicato dos Treinadores. Irado, ele questionou o segurança sobre quem havia autorizado o ingresso e a resposta foi que a ordem partira de Júlio Mazzei. Leão disse que ele devia ter sido consultado e não gostou da maneira como o funcionário respondeu: "Pode tirar esse uniforme e ir embora", retrucou o treinador, na frente dos jornalistas. O segurança se desculpou e foi perdoado.
Esse tipo de comportamento de Leão foi duramente criticado pelo ex-gerente de futebol Marco Aurélio Cunha, que deixou o clube depois de entrar em colisão com o treinador. Cunha não aceitava ver o grupo estressado pela maneira com que o treinador conduz tudo. "O Santos não é um time alegre, é muito tenso", disse ele ao se despedir.
O estilo de Leão sempre deixa marcas: Gustavo havia conseguido a vaga de titular na lateral-esquerdo e, depois de cometer dois erros num coletivo, cruzou a bola sobre sua área. O técnico parou o treino, mandou-o tirar o jaleco e o jogador ficou meses no banco, esperando nova oportunidade. Gustavo aprendeu a lição e é titular novamente. Assim como ele, outros passaram pela experiência e temem o humor do técnico que tudo vê. E mesmo quando não está no CT, Leão é sempre lembrado cada vez que sua araponga se manifesta com eu canto metálico, muito parecido com o malhar a bigorna.
O clássico - Luiz Felipe Scolari já declarou que pretende poupar grande parte de seus titulares para o clássico de domingo
alegando cansaço, mas essa conversa não foi levada a sério pelos santistas. "Essa história de cansaço é conversa mole e gostaria eu de estar cansado como eles", disse Leão, que hoje perdeu a terceira batalha da semana: queria a indicação de Paulo César de Oliveira, mas o árbitro será Flávio de Carvalho. Na segunda-feira, ele havia tentado a realização da primeira partida na Vila Belmiro, mas a FPF confirmou-o para o Morumbi.
O julgamento de Andrei por sua expulsão no jogo contra o Guarani rendeu, no julgamento de terça-feira, suspensão por um jogo. Isso desmontou o time que havia sido preparado para a disputa da semifinal Amanhã, os jogadores farão um coletivo pela manhã, quando o substituto de Andrei será definido. O mais provável é que Leão escale Jean na posição, para não ter que alterar muito o time. A outra alternativa seria recuar Claudiomiro, mas aí ele teria de escalar Marcos Bazílio ou o japonês Maezono na função de volante.
Andrei era uma peça importante para acertar a marcação pelo lado esquerdo de sua defesa e para tentar neutralizar as jogadas aéreas do adversário, que Leão admite como um dos pontos dores do Palmeiras. "Mas esse também é o ponto forte do Santos", lembrou. No caso, o trabalho de cruzar a bola fica com os laterais Anderson e Gustavo e pelo ponteiro Alessandro, que sempre encontram Viola e Paulo Rink bem posicionados. Nas cobranças de escanteio e faltas, os zagueiros altos sempre auxiliam o ataque.


