O exemplo do medalhista olímpico
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domingo, 12 de novembro de 2006
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Ele é o quinto dos seis filhos de uma família humilde de Lençóis Paulista e perdeu a mãe muito cedo, aos 2 anos. Viveu em um orfanato até os 17 anos e, aos 21, poderia virar mais um número nas estatísticas dos problemas brasileiros, ao perder o emprego de balconista de bar de beira de estrada. Entretanto, graças ao atletismo, tornou-se ídolo nacional. E é com essa história de vida que o medalhista olímpico e ex-velocista Claudinei Quirino pretende convencer crianças pobres a fazer do esporte uma ferramenta para construir uma vida melhor. O ex-atleta esteve na sexta-feira em Curitiba, onde deu palestras para jovens em situação de risco social.
Quirino, que começou tarde para o atletismo, aos 21 anos, esteve em Curitiba a convite do projeto Heróis do Atletismo, da Caixa Econômica Federal, e do Projeto Gralha Azul, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), para falar um pouco de sua trajetória.
''A gente tenta mostrar um pouco da nossa vida para as crianças e como ídolo incentivá-las a praticar algum tipo de esporte, qualquer um, no meu caso o atletismo. Se uma criança falar que gosta de futebol, vamos procurar um lugar que tenha futebol. E tem também outro lado que é trazer eles para o esporte através da educação, incentivando a criança a estudar porque isso é o mais importante'', disse o ex-atleta.
Cerca de 80 crianças e adolescentes e 60 integrantes do Projeto Gralha Azul, entre eles estudantes de educação física, estiveram durante a manhã e a tarde da sexta-feira no Departamento de Educação Física da UFPR para acompanhar a visita do ídolo, que teve o auge de sua carreira nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 99, quando conquistou quatro medalhas - duas de ouro, uma de prata e outra de bronze -, e no ano seguinte, na Olimpíada de Sidney, quando ajudou o revezamento 4x100m brasileiro a conquistar a medalha de prata.
Aposentadoria - Quirino largou oficialmente as pistas após a realização do Troféu Brasil Caixa de Atletismo, em junho, em São Paulo. Para quem teve a vida transformada através do esporte, foi uma árdua decisão.
''Foi difícil. Rapaz, até hoje eu me vejo correndo e eu ainda treino, mas só que não com a mesma intensidade. Mas na vida tudo tem o seu tempo. Por exemplo, uma máquina quando quebra tem outras peças. A gente não. O ser humano tem que saber também respeitar o seu tempo. O corpo da gente é o relógio que fala 'poxa, parou, não dá mais''', comentou Quirino. ''Dá saudade e vontade de correr, mas eu corro também. Só que faço apenas exibições para crianças hoje em dia'', completou.
Quirino divide seu tempo com o projeto da Caixa entre Presidente Prudente, no interior paulista, e São Paulo. O ex-atleta também costuma ficar alguns dias em Londrina, onde moram sua esposa e familiares.
Pan do Rio - O medalhista olímpico aproveitou para falar sobre as expectativas com relação aos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007. ''Muitas medalhas. A nossa intenção com relação ao atletismo e outras modalidades é tentar quebrar o recorde do Pan de Santo Domingo. Aumentar o número de medalhas, mostrar que o Brasil pode organizar um evento desse porte e incentivar as crianças'', afirmou Quirino.


