O esporte também pode salvar vidas
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Rafael Souza Reportagem Local 
A palavra resistência tem um significado maior que o habitual para o ciclista rolandense Ed Carlos Masson. Não só pelas muitas vezes em que ela foi fundamental para suas vitórias no esporte. Mas porque foi ela quem lhe garantiu o direito de continuar vivo e voltar a sonhar.
Ed Carlos levava uma vida normal. Como todo menino, seu sonho era tornar-se jogador de futebol. Com 16 anos, fez os primeiros testes. Mas depois de várias negativas, ele resolveu deixar o futebol de lado e seguir os caminhos do pai, João Rubens Masson, ciclista brasileiro de destaque na década de 70, e começou a pedalar.
Mas mal sabia ele que o futebol ainda lhe traria outras marcas negativas. As más companhias e o mundo imaginário da bola trataram de desviar as suas pedaladas. O ciclista foi apresentado a dois inimigos que quase lhe tiraram a vida: o álcool e as drogas.
Ele fez o caminho habitual de quem se entrega a essa vida. Começou com bebidas, passou a fumar e só foi piorando até chegar à cocaína e a pior de todas, o crack. ''Quando não tinha crack, usava outras mais leves, o vício era terrível, não conseguia mais controlar, tinha que usar todos os dias'', relatou.
A sua sorte é que ele não conseguiu abandonar o ciclismo, seu ''vício do bem''. Nos 16 anos em que conviveu com as drogas, Ed Carlos seguiu treinando e competindo. Para ele, foi isso que o salvou. ''O esporte foi essencial, pois não me deixou ficar totalmente entregue às drogas. Quando tinha competição, eu sabia que tinha que me cuidar mais e conseguia ficar um pouco longe dela'', contou.
Mas a pausa era pequena. Como já não tinha mais o que tirar de casa para vender e comprar drogas, a premiação que ganhava nas corridas tinha destino certo. ''Muitas vezes prometia para o traficante que ganharia a prova para poder pagá-lo''.
Até que um dia as vitórias começaram a ficar escassas, as premiações não vinham mais e o vício ameaçou levar sua maior companheira, a bicicleta. Mas isso já era duro demais para um campeão. Com a ajuda da mãe, veio a virada na vida dele. ''Já tinha penhorado minha bike 'na boca' e estava vencendo o prazo. Minha mãe, cansada de sofrer, me propôs uma troca: traria ela de volta se eu concordasse em me internar. Aí tudo começou a mudar'', continuou.
Ed Carlos se recuperou em pouco mais de seis meses e já está há três anos longe das drogas. Seu pai faleceu no início deste ano - sofreu um enfarto enquanto pedalava. Mas ainda a tempo de ver o filho recuperado. ''Foi muito triste, mas pude dizer para ele tudo que não havia dito em 30 anos. Meu pai sofreu muito comigo, mas foi embora sabendo que eu o amo e me viu recuperado'', disse, emocionado.
Além de ter retornado às competições, hoje o ciclista dedica boa parte de seu tempo a jovens que vivem o mesmo drama. Ele é funcionário do Cervin (Centro de Recuperação Vida Nova), onde é monitor e ministra palestras para os alunos. ''Agora levo como missão tirar outros jovens dessa vida e mostrar que eles podem se recuperar. Espero ver outros exemplos como o meu'', finalizou o ciclista.


