O epicentro do furacão
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de junho de 2006
Gilmar Ferreira<br> Agência O Globo 
Konigstein - De uma coisa os brasileiros podem estar certos: a comissão técnica da seleção também aguarda com ansiedade pelo ressurgimento de Ronaldo. E não apenas por solidariedade ao jogador carismático e vitorioso ou por respeito ao ídolo que encanta uma legião de fãs de várias nacionalidades. Mas por vê-lo correr freneticamente contra o tempo na intenção de recuperar o encanto, a imagem e o prestígio. Nas últimas 48 horas, Ronaldo parece ter despertado de um pesadelo.
Ontem, ele cumpriu a rotina dos últimos dias: fez exercícios na sala de musculação pela manhã e participou do treino tático da tarde. Exibiu um semblante mais sereno, aparentou estar mais magro e, embora não tivesse feito um excelente treino com bola, deixou no ar uma expectativa positiva. ''Ele está melhorando a cada dia a condição física, investindo pesado nos trabalhos, não apenas dentro de campo, como nos aparelhos de musculação, esteira e bicicleta ergométrica'', anunciou ontem o preparador físico Moracy Sant'Anna.
A polêmica que se estabeleceu em torno da precária condição física do atacante fez dele o epicentro de um furacão. Agora, todos ao seu redor medem as palavras e escolhem as declarações. Mas nos bastidores, longe dos microfones e gravadores, a única certeza é a de que Ronaldo não tem nenhuma patologia que o impeça de jogar bem. ''Não houve queixas de dor-de-cabeça, indisposição, nada. Ele apenas nos disse que não se sentiu confortável no jogo contra a Croácia'', explicou Moraci.
Ontem, o médico José Luís Runco não quis abrir polêmica com dona Sônia, que dissera, em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, que seu filho havia se queixado com ela de ter tido enjôos e dor-de-cabeça no dia do jogo contra a Croácia. Runco repetiu o discurso de Moracy. ''É natural a preocupação dela, como mãe, mas a verdade é que o Ronaldo só se queixou de enjôo no dia seguinte, pela manhã'', reiterou o médico, dizendo ter prescrito dois medicamentos para o jogador: um para proteger o estômago e outro para deixá-lo mais tranquilo. ''Ele já está com outra face: emagreceu e está com números satisfatórios para desenvolver seu futebol''.
Pelo lado dos jogadores, o volante Emerson, também em situação desconfortável, disse que o grupo tem plena confiança em Ronaldo. Mas, nas entrelinhas, deixou evidente a preocupação de não deixar que o problema particular do artilheiro interfira no grupo: ''É claro que todo mundo quer ver o bem do Ronaldo. Mas não existe uma mobilização em torno dele, até porque ele já é bem grandinho, não é uma criança, é um cara maduro, que já jogou mais de uma Copa. Tem uma responsabilidade muito grande e ele sabe disso. Está todo mundo confiante de que ele possa fazer um ótimo jogo contra a Austrália'', disse.


