Paulo Briguet
O craque está no saguão do hotel, em meio à confusão dos colegas de imprensa.
Craque, no sentido vitalício da palavra. Pois não existe ex-craque, assim como não há ex-príncipe, ex-imortal, ex-Nobel, ex-mestre. O título se cola ao homem para sempre.
Vinte e nove anos depois, o craque está tranquilo. Ninguém o perturba. Alguns, que conhecem a sua importância, param para cumprimentá-lo respeitosamente, sem alarde. Conversam com ele. O velho craque permanece ao lado da cabine telefônica, uma legenda sem arrogância.
Entre a nova geração, poucos o reconhecem. Os jovens apenas ouviram falar de seu apelido, de seus feitos, de um certo meio-de-campo. Não imaginam que aquele senhor, aparentemente inofensivo, já infernizou os adversários mais aguerridos.
O narrador de TV é bem diferente do velho craque: não tem paz. Por onde ele passa, há esquema de segurança. Fãs exaltados, de todas as classes sociais, o assaltam armados de canetas e bloquinhos, ávidos por um rabisco do ídolo. Faixas disputam a atenção do homem. Bajuladores abrem caminho para ele passar. Holofotes o perseguem.
A legenda de 1970 é quase um cidadão comum. O narrador que vem depois da novela é uma grande celebridade. Vivemos no país do futebol ou da televisão?

VAPT-VUPT
Além das mudanças no time, outro fato agitou ontem o ambiente da Seleção Brasileira. Uma funcionária do Shopping Monalisa, de Ciudad del Este, afirmou que o atacante Ronaldo havia gasto US$ 28 mil em compras. Ronaldo (foto) negou que tivesse gasto tanto e a delegada da Receita em Foz, Maria Angélica Toledo Castro, afirmou que o helicóptero que transportou Ronaldo e Cafu, anteontem, passou por uma revista padrão sem que nada fosse encontrado.
Ontem, um dos proprietários do shopping, Aref Hamoud, esteve no hotel da concentração brasileira afirmando que Ronaldo gastou apenas US$ 700 em compras. Pessoas que usam a Ponte da Amizade para atravessar do Paraguai ao Brasil podem levar apenas US$ 150 em compras. Se o transporte for aéreo, como no caso de Ronaldo, o limite de gastos é de US$ 500. Acima disso, deve ser paga uma taxa de 50% sobre o valor total.

Por via das dúvidas, a delegada da Receita Federal avisa: fará revista pessoal nos jogadores e membros da delegação do Brasil na Copa América quando o grupo usar o Aeroporto Internacional de Foz para ir a Assunção ou para outro lugar do Brasil. Providência divina: tudo que a Seleção não precisa é repetir o escândalo das bagagens de 94, quando a delegação do tetra voltou dos Estados Unidos com um carregamento-gigante de mercadorias não declaradas.
Perguntado por um jornalista argentino se será perdoado pelos torcedores brasileiros caso perca a partida de domingo para os arquirrivais, Wanderley Luxemburgo disse não estar preocupado. ‘‘Não estou fazendo um trabalho para um jogo de 90 minutos’’, respondeu o técnico. ‘‘Meu trabalho é visando a Copa do Mundo de 2002.’’

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