O 'copeiro' Scolari vive a 21.ª final na carreira
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Dinoel Marcos de Abreu 
São Paulo, 24 (AE) - O técnico Luiz Felipe Scolari vive a expectativa de mais uma decisão na carreira. Será a 21.ª, o que ratifica a fama de treinador "copeiro". Mesmo com um elenco reduzido, formado por poucas estrelas, depois da saída de Júnior Baiano, Cléber, Zinho, Paulo Nunes, Oseas, Evair e Zé Maria, o treinador levou o Palmeiras à final do Torneio Rio-São Paulo ao vencer o Botafogo-RJ por 3 a 1, quarta-feira, em casa.
Desde que chegou ao Parque Antártica, em junho de 1997, o treinador parte para a sua oitava decisão. Scolari acabou tornando-se, na história do clube, um dos recordistas em finais. Em 98, foi campeão da Copa do Brasil e da Copa Mercosul. No ano passado conquistou o título mais importante do Palmeiras, a Taça Libertadores da América. Levou ainda o time à decisão do Brasileiro, em 97, diante do Vasco. Além da Libertadores, contra o Deportivo Cali, da Colômbia, o Palmeiras de Scolari disputou mais três finais na última temporada, ficando com o vice: o Paulista, diante do Corinthians; a Mercosul, contra o Flamengo; e o Mundial Interclubes, frente ao Manchester United, da Inglaterra, em Tóquio.
Com a reformulação adotada no clube no fim do ano passado, para enxugar a folha de pagamento, Scolari teve de praticamente montar uma outra equipe, cujo principal astro é o meia Alex. O treinador teve de mudar o estilo de jogo da equipe, optando por um futebol à base de velocidade. Por causa das mudanças, Scolari admitiu que não esperava chegar à disputa do título. "O resultado veio mais rápido do que eu imaginava", disse o treinador, que aposta numa vitória sobre o Vasco, sábado, às 16 horas, no Maracanã. "O que está faltando agora ao Palmeiras é contar com mais jogadores, porque estou com poucos profissionais."
Scolari é um dos treinadores com vida mais longa no Palmeiras. Contra o Botafogo, completou sua 217.ª partida no clube, mantendo-se na quinta colocação entre os treinadores que mais dirigiram o Alviverde: Oswaldo Brandão é o primeiro, com 536 jogos, mas com cinco passagens pelo clube, entre 1945 a 80; Ventura Cambon é o segundo, com 300 jogos em sete períodos no Parque Antártica, de 1937 a 57; Rubens Minelli é o terceiro, com 240 jogos, em três passagens pelo Palmeiras, entre 1961 a 83; em quarto está Wanderley Luxemburgo, que, em dois períodos, entre 1993 e 96, disputou 228 jogos.
Scolari tem contrato com o clube até o fim do ano, por isso ele espera superar a marca de Luxemburgo e de Minelli, além de chegar perto do recorde de Cambon. O treinador, porém, pode sair antes, caso receba, no meio do ano, alguma proposta do futebol europeu, principalmente da Espanha, onde gostaria de trabalhar.
"Nessa época, os clubes europeus costumam ir atrás de técnicos; se eu receber alguma proposta interessante, poderei pensar em ir novamente para o exterior", repete Scolari, que já trabalhou no Kuwait e no Japão.


