O CIRCO DA NOTÍCIA
Marcos Freitas
De Londrina
Pelo menos um bilhão de pessoas em 47 países do mundo estão assistindo ao Torneio Pré-Olímpico de Futebol. Mas até que as imagens dos gols, dos craques, do torcedor enfim, dos personagens principais do cenário que compõe o espetáculo de cada jogo cheguem ao pessoal da poltrona, muita coisa acontece.
Até o telespectador ver e ouvir a narração de um gol, centenas de pessoas trabalham atrás das câmeras que também compõem o verdadeiro circo da notícia. São puxadores de cabos, editores de texto, editores de imagens, câmeras, operadores, entre outros profissionais que levam até o telespectador a emoção de um torneio internacional, como o Pré-Olímpico de Londrina, sem que aparecam na telinha por um segundo sequer. Sem eles, o espetáculo aconteceria apenas para quem está no local do acontecimento; com o seu trabalho, o mundo inteiro poderá ficar bem informado.
Na maioria das vezes, esses anônimos chegam primeiro no local do evento e são sempre os últimos a sair. Suas jornadas obrigam à separação da família, dos amigos e do seu habitat natural por longos e longos dias. Muitos fazem do próprio caminhão onde são transportados os equipamentos o lar-doce-lar. Outros têm que viajar com os equipamentos por milhares de quilômetros até o destino e prepará-lo para que repórter e cinegrafista retratem o acontecido.
O auxiliar de operações externas, Alaor Alailson Monteiro Alves, 25 anos, se encaixa no perfil acima descrito. Ele está em Londrina desde antes da Seleção Brasileira desembarcasse na cidade, na primeira semana de janeiro. Viajou aproximadamente mil quilômetros do Rio de Janeiro para Londrina trazendo em uma caminhonete equipamentos para filmagens e uma ilha de edição inteira.
Alves trabalha levando e trazendo a equipe de reportagem, ajuda na montagem e manutenção dos equipamentos e sempre está de stand by jargão usado na área para definir alerta para qualquer eventualidade. Quando estamos em um trabalho como esse no Pré-Olímpico, nossa vida tem que ficar 100% ligada no evento, diz.
Os puxadores dos cabos dos equipamentos da TV Tarobá emissora responsável pela transmissão das imagens do Pré-Olímpico para o mundo literalmente vivem entre os eventos e o caminhão. Como a empresa faz a geração de imagens de várias competições esportivas pelo Brasil, eles estão sempre viajando durante boa parte do ano.
Também são eles os responsáveis pela locomoção dos equipamentos e aí viram motoristas. Nossa casa é aqui, conta Sergio Paladini, apontando para o ônibus.
A saudade da família é algo difícil de suportar Estamos fora de casa desde o dia 26 de janeiro, alerta o puxador de cabos Luiz Donizete. Quando voltarmos já vamos estar pensando quando e para onde vamos fazer a próxima cobertura, diz Wilson dos Santos, também puxador.
Mas o gosto pelo trabalho é algo muito forte. Somos apaixonados por esta vida agitada, admite Aroldi Cândido. Mas nem tudo são flores: quando algum cabo estoura a missão deles é de repor a peça em instantes. É aí que nossa missão se torna muito mais importante, na hora que alguma coisa deu errado temos que dar um jeito, conta Edevilson Lima.
Para o gerente de operações externas, Elcio José Domingos, de 40 anos, o vai e vem de câmeras, imagens, cabos, fitas, homens, notícias... não o assusta. Pode parecer loucura mas esta agitação já faz parte de nossa vida, conta.
O mesmo pensamento tem o chefe deste mini-exército. Para Carlos Effting, comandar este povo todo se torna um orgulho quando a imagem que você assitir em casa sair perfeita. De preferência quando acontece mais um gol brasileiro, é claro.Centenas de anônimos compõem cenário da informação
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