Quem acompanha o dia-a-dia da Seleção Brasileira na Colômbia, percebe que o ambiente está bom, os jogadores brincam entre eles, treinam com alegria e não se negam a dar autógrafos ou entrevistas. Um atleta, porém, destoa da maioria. Trata-se do goleiro Dida, que, num curto espaço do tempo, viu o céu transformar-se em inferno. Embora garanta estar contente, é evidente sua preocupação com o futuro, totalmente obscuro.
‘‘Minha cabeça é só trabalho, tenho de estar feliz porque jogo na Seleção Brasileira’’, disse ele. Pouco antes de ser questionado, Dida fez questão de saber quais perguntas seriam feitas. Não atende a ninguém que aborde o tema passaporte. Na semana passada, a Federação Italiana de Futebol ratificou a suspensão de um ano do goleiro por uso de passaporte falso.
Assim, não poderá defender o Milan na próxima temporada e terá a carreira prejudicada. Há pouco menos de um mês, em Teresópolis, um repórter o questionou sobre sua suspensão. A reação foi imediata. Ele quase partiu para a agressão.
Por essas e por outras, Dida foi esquecido pela imprensa. Quase não dá entrevista, não aparece na televisão. Nem os jornalistas colombianos o procuram. O máximo que faz é distribuir alguns autógrafos. Sua situação é desesperadora para quem, há pouco mais de um ano, era extremamente badalado. Em novembro de 1999, saiu na capa de todos os jornais ao defender, atuando pelo Corinthians, dois pênaltis do meia Raí, em jogo realizado no Morumbi. Depois, confirmou a boa fase sendo o herói do time na conquista do Campeonato Brasileiro e do Mundial da Fifa, em janeiro de 2000.
Quando deixou o Alvinegro, porém, começou seu calvário. Transferiu-se para o Milan, que já era dono de seu passe, e teve poucas oportunidades. Não foi bem em algumas partidas que atuou e acabou perdendo ainda mais espaço. Nessa mesma época – metade de 2000 –, começou a perder a condição de inabalável no gol da Seleção Brasileira.

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