Belo Horizonte - O Brasil mantém Neymar de alguma forma em sua concentração para essa partida duríssima contra a Alemanha, que vale vaga para a decisão da Copa. Faz parte do enredo de Felipão se valer da alma do atacante, já em casa, no Guarujá, onde recupera-se da fratura sofrida na terceira vértebra da coluna no jogo com a Colômbia, para motivar o grupo, os 11 que entram em campo e todos os outros que de alguma forma podem ajudá-lo. O técnico resgata tudo o que Neymar representa para a seleção sem tirar do elenco a importância que tem no confronto. "O Brasil vai jogar por Neymar, pelo povo brasileiro e por seu objetivo, que é chegar à final da Copa", disse o treinador. "O Neymar já fez a sua parte. Agora, temos de fazer a nossa."
Felipão evitou dar muita bola para a ausência de seu principal jogador. Tentou passar o tempo todo que essa situação já está superada pelos jogadores, embora tenha admitido que todos sentirão falta de sua alegria. Ele admitiu que não foi fácil montar o Brasil sem o atacante. "Foi duro, claro. Mas temos um grupo excelente. Quero dizer ao povo brasileiro que fazemos o que achamos que temos de fazer, e que estamos dando o nosso máximo, algumas vezes de forma não tão bonita. Mas estamos caminhando e dando os passos necessários para a grande final que tanto queremos."
O Brasil respeita demais a Alemanha, mas vai se impor nesta semifinal em Belo Horizonte, em casa e diante de sua gente. Respeita porque sabe que o time alemão é o pior adversário do Mundial, mais até que a Argentina, de Messi. "Esse time alemão se prepara há seis anos, portanto, é bastante organizado, equilibrado, de excelentes jogadores e bom plano de jogo, mas sempre soubemos que para chegar à final teríamos de passar por campeões do mundo", comentou Felipão em sua entrevista de pouco mais de 30 minutos na capital mineira, onde chegou no início da tarde da segunda de helicóptero direto de Teresópolis. "Temos de fazer a nossa parte. E vamos nos fazer respeitar."
Felipão tem no currículo e nas lembranças três partidas disputadas contra a Alemanha, e apenas uma delas defendendo o Brasil, na final da Copa de 2002. Nas outras duas ocasiões, ele estava no comando de Portugal. Ganhou no Mundial da Coreia do Sul e Japão, com gols de Ronaldo, mas perdeu com o time liderado por Cristiano Ronaldo, em 2006 (Copa da Alemanha) e 2008 (Eurocopa). "Então, agora é hora de empatar esse retrospecto de jogos."
O treinador brasileiro já tem a formação definida e pronta para o jogo do Mineirão. Garantiu não ter perdido o sono para escalar o Brasil sem Neymar, seu maior trunfo até então no torneio. Pode divulgar? "Não", foi o que disse aos jornalistas, com sorriso no rosto. "Já tínhamos uma ideia de como a Alemanha se comporta e recebemos informações do Alexandre Gallo e Roque Junior, que viram dois ou três jogos da equipe. Temos o time montado em função dessas informações e também do nosso padrão de jogo. Vamos usar esse padrão na partida para causar dificuldades a eles e ver depois o que acontece."
Felipão negou-se a dar pistas da formação brasileira. Mas disse que as opções são boas, de acordo com sua própria avaliação. Se usar três volantes, Luiz Gustavo, Fernandinho e Paulinho, como se espera após o treinamento de segunda ainda na Granja Comary, vai dar liberdade para os laterais Marcelo e Daniel Alves, que retomou no coletivo vaga perdida para Maicon, ainda em fase de recuperação dos esforços com os colombianos, sexta. "Com três volantes, eu solto mais os laterais sim. Com dois, tenho de acrescentar algo para dar prejuízo à Alemanha." Willian também foi testado no lugar de Neymar, que emprestará todo o seu carisma, garra e áurea para o Brasil em Minas Gerais. "O Neymar deixou muito dele conosco."

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