Foram dois anos de presidência e oito, ao todo, de atividades na Fundação de Esportes de Londrina (FEL). Ao fim de sua passagem pela órgão que comanda as decisões públicas relacionadas ao esporte na cidade, Ariobaldo Frisseli, o Dedé, faz um balanço de sua gestão e dos desafios de seu sucessor, além de alfinetar a desorganização que tomou conta do basquete masculino londrinense. Acompanhe:
Folha: Qual a avaliação que o senhor faz desse período na FEL?
Dedé: O balanço é extremamente positivo. As modalidades do alto rendimento, menos o basquete masculino, atingiram seus objetivos. O futsal feminino chegou nas semifinais, o handebol masculino foi campeão, o futsal masculino, apesar de ter ficado entre os 8 classificados, atingiu o objetivo de subir da Série Prata para a Ouro, de ficar na Ouro e de se estruturar. A gente sabe que o futsal masculino é altamente competitivo. E o atletismo dispensa qualquer comentário, é o melhor trabalho, é o programa padrão, porque atinge tudo o que a gente pensa do esporte, como a parte social, o primeiro atendimento, a iniciação, o aperfeiçoamento e alto rendimento, num trabalho maravilhoso do Eugênio (Zaninelli, coordenador) e de sua equipe. Conquistamos os Jogos da Juventude, o que não acontecia há anos, quebrando a hegemonia de Curitiba, em um feito significativo. Criamos o programa paradesportivo. Outra ação extremamente positiva foi o programa de eventos. Hoje Londrina tem um calendário. Você sabe que tem o Beach Soccer em janeiro e fevereiro, que tem o Torneio do Trabalhador em abril e maio, sabe que tem o circuito de vôlei em três etapas.
Folha: Esses torneios populares ou populistas, você os considera importantes?
Dedé: Eu acho de suma importância. Porque conseguiram despertar na comunidade, o gosto pela prática do esporte de várias modalidades. Tem jogos de inverno, prova pedestre, futebol, futsal, showbol, futebol suíço, vôleibol e futebol de areia. Conseguimos levar um pouquinho de lazer e entretenimento, principalmente para o munícipe mais carente, aquele que está lá na Vila. As associações começaram a se organizar e a cada ano aumentou o número de participantes. Tivemos testemunhos emocionantes. Gente que nunca tinha entrado para jogar no Moringão, no Estádio do Café. Eu acredito que a outra administração deva pegar isso aí como meta. Não deixar acabar com esse programa porque ele é espetacular.
Folha: Com relação à iniciação esportiva, o senhor acredita que foi feito o suficiente?
Dedé: Nos Jogos da Juventude, atendemos 30 modalidades no masculino e no feminino. Isso significa que 30 modalidades estão treinando sistematicamente com o acompanhamento de supervisores da FEL. Esta administração conseguiu colocar o esporte em primeiro plano, ter uma verba específica, como a Educação, a Saúde, a Ação Social, e desenvolver todas essas modalidades. Há outras além das do Jogos da Juventude e, assim, desenvolvemos quase 40 modalidades.
Folha: O que faltou ser feito?
Dedé: Quando se fala de esporte ainda falta muita coisa. Nós havíamos pensado em colocar cadeiras no Moringão para dar mais conforto, mas não deu. Conseguimos readequar algumas coisas, a questão da quadra (foi reformado o piso), a pintura geral, mas faltaram os vestiários e os banheiros do público. No Café fizemos muita coisa. Fizemos até um orçamento para colocar cadeiras em todo o estádio, na expectativa de que Londrina seja uma sub-sede da Copa de 2014. Faltou reformar quadras e criar uma estutura melhor em vários bairros, apesar de termos construído mais dois ginásios e várias quadras. Nas modalidades, faltou ainda algumas delas terem consciência de como mexer com o dinheiro público (basquete masculino, por exemplo), que é diferenciado e precisa de um tratamento especial. Infelizmente, por conta disso, algumas modalidades deixaram dinheiro para trás, que retornam aos cofres públicos. Sempre falta dinheiro porque ele é fragmentado. Outra medida correta foi a terceirização do autódromo (Internacional Ayrton Senna) e do kartódromo (Luigi Borghesi). Passamos para pessoas mais competentes, do ramo e com liberdade a mais de atuação.
Folha: O senhor concorda que faltam praças esportivas públicas na cidade?
Dedé: Falta sim. Principalmente um ginásio de médio porte, com uma quadra poliesportiva com medidas oficiais, piso de madeira e no máximo 3 mil lugares. Às vezes você coloca mil pessoas no Moringão e parece que tem 50.
Folha: O que senhor espera do seu sucessor?
Dedé: Em primeiro lugar, todas as decisões que tomamos aqui são em colegiado. Isso aprendi com o professor Marival (Mazzio, ex-presidente). Quando se discute em colegiado, acerta-se mais, erra menos e você não é o dono da verdade. Segundo, a outra administração tem que pegar o que fizemos de bom, manter e aperfeiçoar. O que não fizemos, fazer. Reclamaram que saímos dos Jogos Abertos, mas nós não esquecemos do alto rendimento. Qual cidade do Paraná que tem três modalidades disputando ligas nacionais? Nós temos o handebol masculino, o futsal feminino e o basquete masculino, além do atletismo, que disputa vários torneios nacionais e internacionais. Se você pegar no Brasil, você vai encontrar poucas.

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