"O atleta é o cavalo", diz Rodrigo Pessoa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Heleni Felippe 
São Paulo, 28 (AE) - No hipismo de salto "o atleta é o cavalo", na definição do cavaleiro Rodrigo Pessoa. Atribui ao desempenho de dois animais muito especiais os seus resultados. Rodrigo venceu a Copa do Mundo de Helsinque, em 1998, com Lianos Z, um cavalo de 11 anos, da raça alemã holsteiner. Com o mesmo animal foi campeão no Mundial de Roma, no ano passado. Na Copa do Mundo de Gotemburgo, no domingo, Rodrigo formou conjunto com o cavalo da raça sela francesa Baloubet du Rouet, de 10 anos, um animal que não tem preço. O proprietário do cavalo, o português Diogo Coutinho, já recusou uma oferta de US$ 5 milhões, feita pela princesa Haya, da Jordânia.
"É difícil dizer quem é o melhor", afirma Rodrigo. "Os dois têm muitas qualidades", prossegue o cavaleiro, que tem planos de competir na Olimpíada de Sydney, no ano 2000, com um deles. No País, o Haras Joter, de propriedade da família Jonhannpeter, na região de Porto Alegre, tem a melhor criação da raça Brasileiro de Hipismo (BH). Parte dos produtos do haras - que deu início à atividade de criação em 1982 - estará à venda sábado, no primeiro leilão do Joter, em Porto Alegre. Doze animais serão comercializados.
TRADIÇÃO - Embora tenha menos de duas décadas, a criação do Joter foi estruturada com base na tradição de 150 anos dos criadores do norte da Alemanha, que trabalham com a raça holsteiner. "Há 18 anos, fomos à Alemanha para pesquisar e aprender com Mass Hell, já falecido, sobre a criação", ressaltou o cavaleiro André Johannpeter, integrante da equipe brasileira que foi medalha de bronze na Olimpíada de Atlanta, em 1996.
"Ainda hoje buscamos apoio nessa região dos hoslteiners." André observou que nada melhor para mostrar a qualidade dos produtos do haras do que os resultados que obtêm nas pistas. Do Joter saíram três cavalos - da linhagem alemã holsteiner - levados à Olimpíada. Em Atlanta, Calei foi montado pelo próprio André, Cassiana formou conjunto com Luiz Felipe Azevedo e Adelfus competiu com o suíço Thomas Fuchs. Calei disputou e ganhou a medalha de ouro por equipe no Pan-Americano de Mar del Plata, em 1995. Silvestre é outro cavalo premiado - foi medalha de ouro, por equipe, no Pan de Havana, em 1991.
"Isso comprova o acerto na escolha da linhagem holsteiner e, dentro dela, de boas linhas de famílias", explica Johannpeter, acrescentando que o haras tem 15 boas éguas para reprodução, que formam o plantel de base. "Houve muito entusiasmo na primeira fase da criação do BH, mas vários criadores investiram errado, importando garanhões", observou. Acentuou que o importante é ter boas éguas. "Sempre há a possibilidade de importar o sêmen ou comprar a cobertura." André lembrou que um garanhão pode ter 400, 500 filhos em 15 ou 20 anos. "O segredo é a escolha das éguas."


