A mais nova promessa de gols do Paraná Clube é um caso atípico no futebol brasileiro. Não era o seu sonho de infância ser jogador profissional, mesmo assim fez algumas tentativas e até havia desistido e passado a jogar apenas na suburbana, como um hobby. Hoje, Marlon fala francês, inglês e espanhol e toma dois ônibus para chegar aos locais dos treinos, onde trabalha ao lado de antigos ídolos do futebol profissional.
Aos 21 anos, Marlon Lopes Souza vive um momento diferente na vida. Com a nova chance dada pelo destino, agora ele quer investir tudo na carreira e já pensa até em jogar num time de maior expressão.
Começou a tentar a carreira em 92, no juvenil do Vila Fanny, time amador de Curitiba. Depois, em 94, teve uma passagem pelo aspirante do Atlético, mas não continuou. Em 95, com 18 anos, foi servir o Exército, no qual ficou até 97, quando ingressou no Combate Barreirinha, também do amador curitibano.
Sempre fazendo bastante gols, foi levado por um empresário para jogar no Racing, time da terceira divisão do futebol europeu, onde ficou oito meses. Não se adaptou e voltou para o Combate. ‘‘Nessa fase eu já tinha colocado em mente que não seria atleta profissional’’, diz ele.
E foi no Combate que o destino resolveu dar uma nova chance para o atacante. No dia 29 de novembro do ano passado, na final da Taça Paraná de Futebol Amador, ele fez os cinco gols da vitória de 5 a 2 do Combate Barreirinha sobre o Danúbio, de Guarapuava. A atuação dele foi decisiva para o tricolor - representado na partida pelo ex-vice de futebol, Amilton Stival - fazer o convite para Marlon se juntar ao grupo. ‘‘A princípio seria um teste. Mas já cheguei e assinei um contrato por seis meses, com opção de renovação’’, conta ele.
Marlon já está no Paraná desde o começo da temporada 99. Não se firmou ainda como titular e tem entrado em partes dos jogos da Copa Sul Brasileira, que reúne os principais clubes dos três estados do Sul. Na partida de anteontem à noite, em Camaçari-BA, pela Copa do Brasil, começou jogando. Até agora, fez um gol, na vitória de 4 a 3 sobre o Internacional, pela Copa Sul. Como já esteve várias vezes em situação de marcar, já deu passes para alguns gols e ensaiou alguns dribles bonitos, tem saído aplaudido pela torcida, o que não o ilude. ‘‘Sei que se outros gols não acontecerem, não vão mais estar ao meu lado.’’
Marlon afirma que a torcida e alguns jogadores do Paraná lhe causaram uma certa apreensão quando começou a treinar no time. ‘‘De repente me dei conta de que estava no foco da torcida e que ao meu lado estavam o Valdeir e o Hélcio, dois jogadores que eram meus ídolos quando era mais moço. Jamais imaginei um dia jogar ao lado deles, na mesma equipe. Na hora pensei: é muita responsabilidade e fiquei apreensivo, mas já superei isso.’’
O jogador, que se diz ainda fora de sua melhor condição física, devido à diferença entre os treinos no Combate (uma vez por semana) e o ritmo no futebol profissional (treinos quase diários), não esconde que, com a profissionalização, quer dinheiro para viver melhor.
Ele trocou os R$ 200,00 que recebia no Combate, mais um salário de recepcionista bilingue num hotel de Curitiba, para tentar a vida como jogador. Parte do dinheiro que ganha - ele não revela o salário - ajuda no orçamento da família, formada por ele, a mãe e dois irmãos. A outra parte, está juntando para comprar um carro. ‘‘Vai facilitar a ida aos treinos’’, justifica.
No Paraná, Marlon só pensa em trabalhar para se firmar como titular e chegar a um time de maior expressão. ‘‘Já tinha desitido de ser atleta profissional. Agora que tenho essa chance quero chegar o mais longe possível.’’Albari RosaGarra de amadorMarlon, do Combate Barreirinha para o Paraná Clube: ‘Agora que tenho essa chance quero chegar o mais longe possível’Ed Carlos Rocha

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