O adeus ao descobridor de craques
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Thiago Mossini 
Parentes e amigos despediram-se ontem de Aliomar Rodrigues Mansano, o Ticão. Um dos principais descobridores de talentos do futebol do Paraná morreu na noite de quarta-feira, vítima de infarto agudo do miocárdio, aos 65 anos. O corpo dele está sendo velado desde ontem na Acesf, em Londrina, e o enterro será hoje, às 17 horas, no Cemitério São Pedro.
De acordo com a família do observador técnico, ele havia passado por uma cirurgia há cinco meses e fazia recuperação em Curitiba. Ticão estava internado há três dias no Hospital Nossa Senhora das Graças, com problemas circulatórios e sofreu o infarto na quarta-feira. "Ele estava animado com a volta ao futebol, mas teve alguns problemas de saúde. Estava se recuperando, estava disposto, animado, aí teve a parada cardíaca, que pegou a todos de surpresa", contou o sobrinho dele, Marcelo Júnior.
O caixão com o corpo de Ticão chegou ao velório envolto em uma bandeira do Londrina, que depois foi substituída por uma do Atlético Paranaense, clube com o qual tem uma ligação muito forte e onde trabalhou por último.
Muitas pessoas ligadas ao futebol foram se despedir de Ticão. Adjetivos não faltaram a elas para descrever o observador de promessas. Entre elas duas se destacam: olhar cirúrgico para descobrir bons jogadores e a postura de orientação dentro e fora de campo dos garotos que descobre.
"O futebol perde muito, principalmente a base. Ele tinha um olhar especial e cuidava muito bem dos jogadores, dava muita assistência a eles e sem as segundas intenções que existem hoje", lembrou Aldivino Generoso, que trabalhou com Ticão no Londrina.
O ex-zagueiro Márcio Alcântara também frisou esta característica do olheiro. "Quando subi para o time júnior, foi ele quem me lapidou até eu chegar na seleção brasileira. Ele ajudava muito os jogadores fora de campo e tinha um tato impressionante para descobrir talentos", comentou Márcio.
Além do Londrina, Ticão trabalhou no Cruzeiro, na época em que Ronaldo Fenômeno surgiu para o futebol. Em 1995, desembarcou no PSTC, onde deu início à fábrica de craques de onde saíram Kleberson, Dagoberto, Jadson e Fernandinho. O sucesso no clube londrinense, que era parceiro do Atlético-PR, fez com que o Furacão o contratasse. Ele ficou na Baixada até 2009. Voltou no ano passado com o retorno de Mário Celso Petraglia ao poder. O clube lamentou em nota em seu site a morte do funcionário.
'Um pai'
Jogadores descobertos por ele também foram ao velório, como o ex-volante Adílson Fernando Vicente. Ele era desta mesma geração de revelações do PSTC. "O Ticão era um cara excepcional, considerado um pai por todos os jogadores que trabalharam com ele", frisou.
Quem não pôde estar presente se despediu pelas redes sociais. "Que você descanse em paz meu amigo, meu pai, meu parceiro e muito obrigado por você ter existido em minha vida", escreveu em seu twitter, o são-paulino Jadson.
Da Ucrânia, Fernandinho contou à FOLHA que esteve com Ticão durante as férias de final de ano. "Logo quando cheguei ao Brasil, em dezembro passado, fui até sua casa visitá-lo. Ficamos por mais de 2 horas conversando. Ticão foi um pai para mim. Adorava conversar com ele quando estava no Brasil. Todas a vezes que ia de férias falava com ele, ríamos muito", contou o meia do Shakhtar Donetsk.
O jogador lembra que seu mentor sempre procurava orientá-lo, mesmo após a fama. "Eu contava como estava vivendo aqui na Europa e ele sempre do mesmo jeito, orientando e ensinando. Era sempre uma alegria estar com ele. Foi um prazer ter trabalhado com o Ticão, homem de coração sincero, aprendi muita coisa com ele", revelou.
Em sua última conversa com Fernandinho, Ticão teria lhe confidenciado que estava com receio de que seus problemas de saúde pudessem tirá-lo do Atlético. "Ele estava com medo de ser mandado embora do Atlético por causa do problema de saúde. Foi para Curitiba pra resolver isso também", disse.


