Curitiba - O Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) apreendeu ontem dezenas de documentos na Federação Paranaense de Futebol (FPF) que seriam usados pela empresa Confiar (Comissão Fiscalizadora de Arrecadação) - criada em 1994 através de um estatuto, mas só constituída a partir de outubro de 2006. Caberia à empresa, que tinha sede na própria FPF e tinha como presidente um dos dirigentes da própria federação, a fiscalização da renda dos clubes, a comercialização dos campeonatos e a operação da FPFTV - uma televisão criada para transmissão de jogos pela internet.
Entre o material apreendido, estão balancetes, atas, contrato social e listas de funcionários. As investigações ainda estão em fase inicial, mas segundo o delegado Robson Cezar Barreto (que conduz os procedimentos investigatórios), o material apreendido complementará a investigação. A denúncia que embasou o inquérito foi feita pela própria imprensa contra o presidente afastado da FPF, Onaireves Moura, por suspeita de fraude contra credores, apropriação indébita e sonegação fiscal.
Existiriam indícios de que Moura usava a Confiar para não pagar os credores da federação, já que 2,5% da arrecadação dos jogos no Campeonato Brasileiro eram da empresa e outros 2,5% da FPF. Antes da criação da Confiar, todos os 5% ficavam para a federação. Nos jogos do Paranaense, a FPF ficaria com 10% do total arrecadado.
O impasse começou por conta das dívidas da FPF - que já tem todos os valores que serão recebidos penhorados por ordem judicial. Todo o material apreendido passará agora por perícia técnica e auditoria para que sejam verificadas possíveis irregularidades. Barreto não quis dar detalhes das investigações feitas até agora, mas garantiu que num prazo de 30 dias terminará o inquérito. O mandado de busca e apreensão foi solicitado pela Polícia Civil porque os documentos haviam sido pedidos formalmente para a FPF em maio e os dirigentes não teriam cumprido a exigência formal.
O advogado da FPF, Vinícius Gasparini, disse ontem que não encaminhou os documentos pedidos porque todos os dirigentes foram afastados da federação por decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) - incluindo o contador e Moura (que está afastado por um prazo de 8 anos e 60 dias). Atualmente, está presidindo a FPF o empresário Aloísio José Ferreira.
''Não existe fraude contra credores. A empresa já estava prevista em estatuto, apenas foi criada seguindo critérios pré-estabelecidos. Além disso, as duas contabilidades, da Confiar e da federação, se fundem numa só. Se algum credor se sentir prejudicado, pode pedir auditoria imediata. A Confiar está devidamente legalizada, paga os encargos sociais e seus funcionários. Acho bom que se investigue. Não terá problema algum'', disse Gasparini.

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