Em 2005, o Londrina entrou no Campeonato Paranaense desacreditado, havia acabado de ser rebaixado na Série B do Brasileiro. Era hora de fazer um time barato, com jogadores e comissão técnica da casa. Itamar Bernardes foi então convocado para comandar o time, repleto de pratas-da-casa. Entre eles, dois garotos de pouca conversa e muita bola, que já davam sinais de que teriam um belo futuro pela frente.
O volante londrinense Henrique e o atacante manauara Bolão, hoje Soares, ajudaram a levar o Tubarão até às semifinais daquele estadual. Com o fim da parceria do Tubarão com a Londrina Junior Team, foram juntos para o Figueirense e depois cada um seguiu o seu caminho. A partir desta semana eles se reencontrarão na Toca da Raposa. Henrique acabou de renovar contrato com o Cruzeiro por mais uma temporada. Aos 23 anos, ele tem contrato até 2011 com o Jubilo Iwata, do Japão. Já Soares é o novo reforço do time mineiro para 2009.
Em seus últimos dias de férias em Londrina, Henrique contou a Folha como está sendo essa reviravolta na vida dele e da família. A timidez e a simplicidade dos tempos de júnior do Tubarão continuam. ''Nunca pensei em me tornar um jogador profissional. Tinha mais dois irmãos que tentavam, um até jogou no São Paulo, e o único que não queria nada com nada era eu e acabei virando jogador'', confessou Henrique.
O sucesso do cruzeirense está diretamente ligado ao técnico Adilson Batista. O treinador foi quem lançou Henrique, Soares e Diogo, outro volante daquele Londrina de 2005. Adilson, porém, não viu o time catarinense chegar às finais da Copa do Brasil do ano passado, pois já havia passado o bastão para Mário Sérgio. Não viu também o garoto londrinense marcar um gol na decisão contra o Fluminense em pleno Maracanã. Mas lembrou de levá-lo para o Jubilo Iwata do Japão.
Ao ser contratado pelo Cruzeiro, trouxe o volante consigo novamente, assim como o meia Marquinhos Paraná e o também volante Fabrício, ex-Corinthians. ''Tenho uma relação muito boa com o Adilson dentro e fora de campo e bem profissional. Ele é uma espécie de paizão. Hoje, está toda a rapa no Cruzeiro'', disse, se referindo aos outros dois parceiros de clube.
Henrique teve azar na chegada ao time mineiro. Logo no primeiro jogo-treino, ele fraturou o tornozelo esquerdo e ficou de molho por três meses. Voltou para ser campeão mineiro e disputar a fase final da Copa Libertadores da América. ''Marcar o Riquelme foi muito legal. Eu já era fã dele e agora fiquei mais ainda. Jogar a Libertadores foi uma experiência muito boa. Tremi em La Bombonera, mas em cinco minutos já parou'', confessou.
O volante foi um dos destaques do Cruzeiro no Brasileirão. Dos 38 jogos que o clube fez, ele esteve em campo em 34 e lamentou o vacilo do time na reta final do torneio, quando deixou escapar o título. ''A gente ganhava dos ricos e perdia dos pobres''.
Em 2009, ele espera uma nova temporada regular e, se possível, uma vaga na seleção, mas tem consciência da concorrência acirrada. ''Não crio expectativa para não ter ilusão. Se vier, ótimo. Vou trabalhar, fazer o melhor pelo clube''.

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