O atletismo londrinense vive uma fase de glórias. Vários atletas da equipe Londrina-Atletismo Caixa/Sercomtel/Consórcio União vêm se destacando em competições nacionais e internacionais. Somente nesse ano, a equipe foi campeã estadual adulto masculino e vice no feminino, campeã estadual Sub-23 masculino e feminino, campeã dos Jogos da Juventude e pentacampeã dos Jogos Abertos do Paraná, entre vários outros títulos individuais.
Os bons resultados não se devem, apenas, ao esforço e técnica dos atletas. Um dos segredos do sucesso da equipe é a estrutura existente à disposição dos mais de 300 atletas, que coloca Londrina como um dos melhores centros de treinamento de iniciação para jovens atletas do País.
Para superarem recordes e conquistarem vitórias nas pistas, os atletas são inseridos no chamado Projeto de Reestruturação da modalidade, que visa a melhoria da qualidade de vida de suas famílias. Mensalmente, são entregues 80 cestas básicas às famílias mais necessitadas dos atletas selecionados para o Programa Bolsa-Alimentar. No Bolsa-Auxílio, 130 atletas recebem valores que variam de R$ 90 a R$ 400, todos os meses.
Os atletas recebem ainda assistência odontológica, psicológica, clínica e médica. O coordenador José Eugênio Zaninelli ressalta que propiciar esses benefícios aos jovens só foi possível graças aos patrocinadores e parceiros da equipe, que conta, também, com padrinhos e madrinhas, abnegados que contribuem, entre outros, no atendimento aos atletas.
O orçamento da equipe de atletismo para o ano de 2004 é certamente um dos maiores entre os esportes desenvolvidos em Londrina cerca de R$ 500 mil. A prefeitura destina R$ 200 mil, por meio de uma parceria da equipe com a Fundação de Esportes de Londrina (FEL), a Sercomtel outros R$ 198 mil, o Consórcio União e a Caixa Econômica Federal repassam outros R$ 50 mil, cada uma. Além dos recursos em dinheiro, os patrocinadores têm participação direta nos projetos sociais.
Mas nem sempre foi assim. Zaninelli lembra que o trabalho começou a ser desenvolvido em 2000, em conjunto com os professores Gilberto Miranda e Irineu dos Santos. Os recursos não eram muitos e pouco mais de 50 atletas integravam a equipe. ''Antes dos patrocinadores, não tínhamos condições de segurar os mais talentosos. O Emerson Iser Ben, campeão da São Silvestre, é um exemplo de atleta que começou conosco e foi embora'', afirmou.
Mudanças profundas ocorreram em 2003, quando o atletismo londrinense passou a ser patrocinado pela Sercomtel e pelo Consórcio União. ''Aumentamos o investimento nas categorias de base'', observa o coordenador.
Esse investimento permitiu a realização de competições, como a Copa Sercomtel, destinada à descoberta de novos valores. Além disso, foram criados pólos de atletismo em cinco regiões periféricas da cidade, atendendo durante todo o ano mais de duas mil crianças. A partir de 2004, quando a Caixa Econômica Federal se juntou aos demais patrocinadores, os pólos regionais foram substituídos pelo ''Projeto Pente Fino''. Profissionais da equipe se deslocam até escolas para descobrir talentos.
Zaninelli sonha alto quando fala do futuro do atletismo em Londrina. Segundo ele, uma comitiva composta por representantes da equipe, dos patrocinadores e de órgãos públicos estará se reunindo com o ministro dos Esportes, Agnelo Queiróz, para discutir a viabilidade de construção de uma Vila Olímpica na cidade. Seriam necessários cerca de R$ 17 milhões. ''Teria duas pistas de atletismo, ginásio poliesportivo, enfim, tudo que um atleta precisa na área de rendimento e social'', conclui.

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